Regimes Totalitários

Entre duas guerras

Entre o fim da Primeira Guerra Mundial (1918) e o começo da Segunda (1939), a Europa viveu uma das mais graves grises de sua história, cuja marca mais terrível foi o surgimento de uma nova forma de poder político e de organização do Estado: o totalitarismo. Nenhum regime anterior, nenhum tipo de tirania do passado, nem mesmo o absolutismo monárquico, se assemelha a essa nova forma de controle do poder.

O totalitarismo tem por característica fundamental o terror permanente contra o indivíduo. A ponto de o Estado totalitário controlar, por meio da repressão, da propaganda ideológica e da supressão dos direitos individuais e coletivos, não só a via pública, mas também a vida privada dos cidadãos.

Fazendo amplo uso da censura, da delação, da violência - principalmente contra as minorias, como ciganos, judeus, homossexuais, imigrantes - os regimes totalitários se estabeleceram em diversos países europeus após a Primeira Guerra Mundial.

O fascismo Italiano

Aliados das nações vencedoras da Primeira Guerra Mundial, os italianos ficaram insatisfeitos com os resultados do conflito. Além das perdas materiais e humanas sofridas (cerca de 670 mil mortos e 1 milhão de feridos), a Itália não obteve as compensações territoriais desejadas - não conseguiu, por exemplo, anexar nenhuma das antigas colônias na África nem mesmo regiões mais próximas dos Bálcãs.

Nessas circunstâncias, difundiu-se entre a população da Itália um profundo ressentimento contra as grandes potências democrático-liberais da Europa, ao qual vinha somar-se uma crescente insatisfação social em razão da inflação, da carestia e do desemprego decorrentes da guerra.
Entre 1919 e 1920 cerca de 3 milhões de trabalhadores urbanos participaram de greves. Em Turim e outras cidades industriais, os operários ocupavam fábricas e tentavam colocá-las em funcionamento. O movimento foi reprimido, mas a sensação de que o governo havia perdido o controle da situação se generalizava entre as classes médias.

Em meio a essas condições, em 1919 um ex-combatente chamado Benito Mussolini (1883-1944) fundou um grupo nacionalista de extrema direita conhecido como Fascio di Combattimento. Seu símbolo, um feixe de varas (fascio) atado à lâmina de um machado, havia sido também um dos emblemas do Império Romano. Com ele, Mussolini queria dizer que era preciso reconquistar o antigo poderio de Roma.

Os Fasci di Combattimento espalharam-se pela Itália divulgando suas ideias ultranascionalistas, anticomunistas e antiliberais. Eles lutavam pela instauração de um governo forte e autoritário capaz de esmagar os grupos de esquerda (comunistas e socialistas) e de pôr fim às greves e manifestações operárias, vistas por Mussolini como desordem.

Com cerca de 320 mil adeptos no início dos anos 1920, os Fasci di Combattimento contavam com milícias armadas e uniformizadas com camisas negras, que espalhavam o terror pelo país. Os integrantes dessas milícias, conhecidos como camisas-negras, assassinavam militares de esquerda, dissolviam manifestações operárias e intimidavam políticos de orientação democrática, tudo sob os olhares complacentes do governo.

Em 1921 os Fasci di Combattimento se unificaram em torno da autoridade de Mussolini e se constituíram em Partido Nacional Fascista. Sua base de apoio era formada sobretudo por desempregados, ex-combatentes, pessoas das classes médias, além de industriais e proprietários de terra temerosos de que a Itália se transformasse em palco de uma revolução comunista. Nas eleições parlamentares de 1921, 35 fascistas foram eleitos deputados. Entre eles, Mussolini.

Em 1922, numa demonstração de força, cerca de 30 mil camisas-negras, sob a chefia de Mussolini, invadiram a capital italiana, ocupando prédios públicos e estações ferroviárias, O episódio ficou conhecido como Marcha sobre Roma. Dois dias depois, o rei Vitor Emanuel III convidou Mussolini para ocupar o cargo de primeiro-ministro. O fascismo chegava ao poder.

Entre 1922 e 1925 Mussolini governou juntamente com outras forças políticas. Gradativamente, porém, ampliou seus poderes e se impôs como verdadeiro ditador. O Parlamento perdeu sua autoridade e os partidos políticos, com exceção do Partido Nacional Fascista, foram extintos. Os prefeitos e chefes locais perderam seus cargos e foram substituídos por seguidores de Mussolini.


Também foi criada uma polícia secreta para perseguir opositores do regime, o que levou 300 mil pessoas a se refugiarem no exterior; o governo implantou forte censura aos meios de comunicação e suprimiu o direito de greve. Todas as organizações que não fossem fascistas tornaram-se ilegais. No inpicio dos anos 1930, o duce (guia), como era conhecido Mussolini, já centralizava todo o poder.

A Itália sob o fascismo

O poder legislativo foi completamente enfraquecido e o novo governo publicou a Carta de Lavoro, que declarava as intenções da nova facção instalada no poder. Explicitando os princípios fascistas, o documento defendia um Estado corporativo onde a liderança soberana de Mussolini resolveria os problemas da Itália. No ano de 1926, um atentado sofrido por Mussolini foi a brecha utilizada para a fortificação do estado fascista.

Os órgãos de imprensa foram fechados, os partidos políticos (exceto o fascista) foram colocados na ilegalidade, os camisas negras incorporaram as forças de repressão oficial e a pena de morte foi legalizada. O Estado fascista, contando com tantos poderes, aniquilou grande parte das vias de oposição política. Entre os anos de 1927 e 1934, milhares de civis foram mortos, presos ou deportados.

O apelo aos jovens e à família instigou grande apoio popular ao regime do Duce. Em 1929, os acordos firmados com a Igreja no Tratado de Latrão aproximaram a população católica italiana ao regime totalitário. Ao mesmo tempo, o crescimento demográfico e o incentivo às obras públicas começaram a reverter os sinais da profunda crise que tomava conta da Itália. O setor agrícola e industrial passou a ganhar considerável incremento, interrompendo o processo inflacionário da economia.

Com a crise de 1929, a prosperidade econômica vivida nos primeiros anos do regime sofreu uma séria ameaça. Tentando contornar a recessão econômica, o governo de Benito Mussolini passou a entrar na corrida imperialista. No ano de 1935, os exércitos italianos realizaram a ocupação da Etiópia. A pressão das demais potências capitalistas resultaria nas tensões que desaguaram na deflagração da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), momento em que Mussolini se aproximou do regime nazista.

A Guerra Civil Espanhola


"A Guerra Civil espanhola (1936-39) foi o acontecimento mais traumático que ocorreu antes da 2ª Guerra Mundial. Nela estiveram presentes todos os elementos militares e ideológicos que marcaram o século XX.

De um lado se posicionaram as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas as classes e instituições tradicionais da Espanha (O Exército, a Igreja e o Latifúndio) e do outro a Frente Popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia.

Para a Direita espanhola tratava-se de uma Cruzada para livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, autoritária e católica. Para tanto era preciso esmagar a República, que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia.

Para as Esquerdas era preciso dar um basta ao avanço do fascismo que já havia conquistado Itália (em 1922), a Alemanha (em 1933) e a Áustria (em 1934). Segundo as decisões da Internacional Comunista, de 1935, elas deveriam aproximar-se dos partidos democráticos de classe média e formarem uma Frente Popular para enfrentar a maré de vitorias nazi-fascistas. Desta forma Socialistas, Comunistas (estalinistas e troskistas) Anarquistas e Democratas liberais deveriam unir-se para chegar e inverter a tendência mundial favorável aos regimes direitistas.

Foi justamente esse conteúdo, de amplo enfrentamento ideológico, que fez com que a Guerra Civil deixasse de ser um acontecimento puramente espanhol para tornar-se numa prova de força entre forças que disputavam a hegemonia do mundo. Nela envolveram-se a Alemanha nazista e a Itália fascista, que apoiavam o golpe do Gen. Franco e a União Soviética que solidarizou-se com o governo Republicano."

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O terror nazista

Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi palco de uma revolução democrática que se instaurou no país. A primeira grande dificuldade da jovem república foi ter que assinar, em 1919, o Tratado de Versalhes que impunha pesadas obrigações à Alemanha.

À medida que os conflitos sociais foram se intensificando, surgiram no cenário político-alemão partidos ultranacionalistas, radicalmente contrários ao socialismo. Curiosamente, um desses partidos chamava-se Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista) e era liderado por um ex-cabo de nome Adolf Hitler. As eleições presidenciais de 1925 foram vencidas pelo velho Von Hindenburg que, com a ajuda do capital estrangeiro, especialmente norte-americano, conseguiu com que a economia do país voltasse a crescer lentamente. Esse crescimento, porém, perdurou somente até 1929.

Foi quando a crise econômica atingiu com tal força a Alemanha, que, em 1932, já havia no país mais de 6 milhões de desempregados. Nesse contexto de crise, os milhões de desempregados, bem como muitos integrantes dos grupos dominantes, passaram a acreditar nas promessas de Hitler de transformar a Alemanha num país rico e poderoso. Assim, nas eleições parlamentares de 1932, o Partido Nazista conseguiu obter 38% dos votos (230 deputados), mais do que qualquer outro partido.

Valendo-se disso, os nazistas passaram a pressionar o presidente e este concedeu a Hitler o cargo de chanceler (chefe do governo). No poder, Hitler conseguiu rapidamente que o Parlamento aprovasse uma lei que lhe permitia governar sem dar satisfação de seus atos a ninguém. Em seguida, com base nessa lei, ordenou a dissolução de todos os partidos, com exceção do Partido Nazista. Em agosto de 1934, morreu Hindenburg e Hitler passou a ser o presidente da Alemanha, com o título de Führer (guia, condutor).

Fortalecido, o Führer lançou mão de uma propaganda sedutora e de violência policial para implantar a mais cruel ditadura que a humanidade já conhecera. A propaganda era dirigida por Joseph Goebbles, doutor em Humanidades e responsável pelo Ministério da Educação do Povo e da Propaganda. Esse órgão era encarregado de manter um rígido controle sobre os meios de comunicação, escolas e universidades e de produzir discursos, hinos, símbolos, saudações e palavras de ordem nazista. Já a violência policial esteve sob o comando de Heinrich Himmler, um racista extremado que se utilizava da SS (tropas de elite), das SA (tropas de choque) e da Gestapo (polícia secreta de Estado) para prender, torturar e eliminar os inimigos do nazismo.


No plano econômico, o governo hitlerista estimulou o crescimento da agricultura, da indústria de base e, sobretudo, da indústria bélica. Com isso, o desemprego diminuiu, o regime ganhou novos adeptos e a Alemanha voltou a se equipar novamente, ignorando os termos do Tratado de Versalhes.

Isso me lembra um comentário da profª Érika sobre um comercial da Folha de S. Paulo:



Stalinismo

Entre os anos de 1924 e 1953 a URSS foi governada por Josef Stalin, por isso este período ficou conhecido como Stalinismo.

Politicamente, a subida de Stalin ao poder expressou a implantação de um Estado burocrático e autoritário, estabelecendo uma mudança radical na implantação do socialismo, que era concebida pela Revolução Bolchevique. O Estado agora era controlado pela elite militar, que tomava decisões desconsiderando as opiniões da população ou de seus representantes.

Em 1927, o primeiro plano quinquenal foi lançado, com o objetivo de desenvolver a indústria pesada. Outros planos qüinqüenais também surgiram e desenvolveram a produção industrial e agrícola.

A agricultura era a principal dificuldade encontrada, por isso o governo desistiu da idéia de coletivização total, criando as granjas coletivas, chamadas de kolkhozes, e as fazendas estatais, chamadas de sovkhozes.

O setor industrial fez a economia soviética avançar, em relação aos países capitalistas, mas o setor agrícola a economia permaneceu atrasada.

Fontes: Brasil Escola - 1 e 2
~Parte do texto extraído do livro História, de Gislane & Reinaldo, volume único para Ensino Médio~
~Demais fontes nos links indicados~

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Queria ter dedicado mais tempo para esse post, mas o negócio anda meio corrido por aqui mesmo. Adoro História, principalmente esses tópicos de Primeira e Segunda Guerras Mundiais, acho muito fodástico!!! *O*

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Juliana Fernandes, estudante de 18 anos com sérios problemas mentais, inaugura seu 123343º blog, desta vez com o intuito de reunir o máximo de informação possível para o vestibular (e coisas mais!)
Junto ao seu fiel parceiro invisível, sem nome e inexistente, ela continua sua árdua tarefa de manter-se atualizada para não levar mais tapas da profª de Matemática de Pinhal City, a roça!!
Não perca o próximo capítulo dessa incrível aventura!!


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