Redes e hierarquias urbanas

As cidades sempre tiveram, desde sua origem, enorme importância política e econômica. Concentram populações que constroem laços culturais, econômicos, políticos e criam tradições. Por isso, elas representam muito mais que a simples sede de poder. Eles espelham as diferenças sociais e o acesso a serviços e bens na sociedade contemporânea. Conhecer uma cidade é conhecer como vivem seus habitantes, como promovem suas festas e como se manifesta o poder.

A origem das cidades

O desenvolvimento da agricultura irrigada nas planícies dos grandes rios foi o fator econômico decisivo na fundação das primeiras cidades, no Oriente Próximo. O principal progresso técnico que a acompanhou foi a descoberta e uso do bronze que substituiu definitivamente a pedra na manufatura de todas as espécies de armas e ferramentas.

As primeiras cidades surgiram entre 3 500 e 3000 a. C., nos vales dos rios Nilo, no Egito e Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia; posteriormente, mais ou menos em 2 500 a.C., no vale do rio Indo, na Índia e por volta de 1 500 a. C., na China.

Agricultura, trabalho coletivo e cidade

As enchentes periódicas dos rios deixavam nas margens uma camada de húmus que favorecia a produtividade da terra. Entretanto, os rios que fertilizavam o solo e serviam de acesso às fontes de matérias primas precisavam ser drenados e controlados, o que demandava a cooperação entre os homens.

A abertura de canais de irrigação, a drenagem de pântanos, a construção de represas e poços eram obras que requeriam o trabalho coletivo da população de várias aldeias, para o melhor aproveitamento das águas. Exigiam também uma direção centralizada, capaz de dividir e racionalizar as tarefas.

A necessidade de centralização levou ao aparecimento da cidade, centro administrativo que reunia várias aldeias surgido em torno do templo do principal deus totêmico da comunidade. Nesse templo era armazenada a produção excedente das aldeias; à sua volta, viviam as pessoas que se dedicavam à administração, ao comércio e ao artesanato.

Entre os servidores do templo, destacavam-se os sacerdotes, intérpretes da vontade dos deuses, que acabavam por assumir a função de dirigentes das cidades. Exerciam tarefas de muita importância.

A Divisão do Trabalho, as desigualdades sociais, o Estado

Além do desenvolvimento da agricultura, com direção centralizada dos trabalhos coletivos de irrigação, outros fatores contribuíram para transformar as aldeias em cidades. As técnicas de trabalhar metais, ouro, prata, bronze, se desenvolveram com rapidez, tornando-se profissões especializadas, como joalheiros e metalúrgicos.

A existência das primeiras cidades dependia também da possibilidade de se organizar o transporte eficaz de grandes quantidades de produtos e de matérias primas. Os habitantes das cidades precisavam receber com regularidade alimentos vindos dos campos ou de localidades distantes. Era indispensável ir buscar em florestas e montanhas, por vezes longínguas, madeira, metais e até pedra.
Essas necessidades levaram a um grande aperfeiçoamento dos meios de transporte e ao desenvolvimento do comércio.

O comércio, de início, se processava por simples troca; depois, pelo uso do gado como unidade de troca, ou por meio de artigos valiosos facilmente transportáveis, tais como os metais. O aparecimento de mercadores especializados deveu-se à necessidade de se adquirir produtos estrangeiros em regiões distantes, transformando essa atividade numa profissão.

O desenvolvimento do comércio e da vida urbana em geral tornou inevitável a invenção da escrita, dos processos de contagem, dos padrões de medida e do calendário, que foram sendo melhorados com o tempo.

Nas cidades, os cidadãos passaram a ser classificados de acordo com a sua função. A divisão do trabalho e as desigualdades de riquezas entre os cidadãos criaram a necessidade de leis e de forças capazes de fazer cumprir as leis. A liderança natural do grupo, que nas aldeias era exercida pelos mais velhos e sábios, cedeu lugar ao governo de um só homem, geralmente o principal administrador do templo ou um grande chefe guerreiro, surgindo assim a cidade-Estado.

Por volta de 3 500 a.C., as cidades dos vales dos rios Nilo, Tigre e Eufrates já constituíam civilizações com governo centralizado nas mãos do rei e o trabalho baseado na servidão dos camponeses.

A cidade industrial

Em nenhum outro período as cidades foram tão alteradas quanto durante a Revolução Industrial. A racionalidade da produção fabril difundiu-se por todas as cidades. O solo urbano e a habitação tornaram-se mercadorias acessíveis somente aos que tivessem poder de compra. A disponibilidade de equipamentos urbanos determinava o valor dos imóveis.

A presença das fábricas subverteu rapidamente as condições de vida dos moradores da cidade. A crescente aglomeração de edifícios, a redução da área verde e a poluição dos rios foram o resultado da apropriação predatória do espaço urbano, criando índices alarmantes de insalubridade, que logo se refletiram nas taxas de mortalidade da população.

A proliferação das epidemias de cólera nas cidades inglesas colocou em risco toda a população, obrigando as autoridades a se voltarem, pouco a pouco, para questões relacionadas à saúde.

A cidade em três tempos

Durante o século XX, intensos fluxos populacionais provocaram o crescimento das cidades, primeiro na Europa e nos EUA, e mais tarde na América Latina e na Ásia.
A tendência para o século XXI é de concentração da maior parte da populaçãp mundial nas cidades.

As metrópoles, as megalópoles e as cidades globais

As cidades podem ser classificadas quanto à origem. Nesses termos, encontram-se duas categorias:

# cidades espontâneas ou naturais: constituem a maioria das cidades do planeta e foram formadas, através dos tempos, em locais que apresentavam algum tipo de vantagem para seu primitivo grupo populacional.

É o caso de cidades que se localizam às margens de mares e de rios, que proporcionam alimentação e facilidade de transporte, por exemplo. Mas é também o caso de cidades que surgiram em torno de castelos, nos entroncamentos de estradas ou em rotas comerciais, que ofereciam respectivamente garantia de segurança, facilidade de deslocamento ou oportunidade de negócios.

Alguns exemplos: Londres (Reino Unido), Moscou (Rússia), Paris (França), Rio de Janeiro e São Paulo (Brasil).

# cidades planejadas: aquelas que são intencionalmente criadas em locais previamente escolhidos, implantadas em períodos temporais relativamente breves, com finalidade de caráter geopolítico.

Em geral, as cidades planejadas têm seu planejamento rapidamente atropelado pelo crescimento populacional, o que faz o traçado original sucumbir diante da espontaneidade com que a população se espalha pelo seu entorno ou por seu interior.

O exemplo máximo que se poderia dar do fenômeno, em termos brasileiros, é Brasília, planejada para acolher 500 mil habitantes, mas já teve esse número multiplicado por quatro, de acordo com o censo de 2000.

Outros exemplos: Camberra (Austrália), Islamabad (Paquistão), Belo Horizonte e Goiânia (Brasil).

Função principal

Este é um outro critério de classificação das cidades que leva em conta fatores de ordem política, econômica, histórica ou cultural. É essencial atentar para o adjetivo "principal", pois as cidades não apresentam uma função única, porém uma que predomina sobre as demais. Por sua função principal, podem-se distinguir as cidades a partir das seguintes categorias:

# Político-administrativas: Washington (EUA), Berlim (Alemanha), Brasília (Brasil);
# Industriais: Detroit (EUA), Manchester (Reino Unido), Volta Redonda (Brasil);
# Portuárias: Roterdã (Holanda), Hamburgo (Alemanha), Santos (Brasil);
# Religiosas: Jerusalém (Israel); Varanasi (Índia), Aparecida (Brasil);
# Históricas: Atenas (Grécia), Florença (Itália), Ouro Preto (Brasil)
# Tecnológicas: Boston (EUA), Bangalore (Índia), Campinas (Brasil)
# Turísticas: Miami (EUA), Katmandu (Nepal), Salvador (Brasil)

No entanto, é muito importante observar que são várias as cidades multifuncionais onde vários das funções acima mencionadas podem ser observadas simultaneamente e é impossível se dizer que uma predomina sobre a outra.

Tome-se como exemplo o caso de Jerusalém, capital de Israel e, portanto, sua sede político-administrativa. Jerusalém é ainda, inquestionavelmente, uma cidade em que os aspectos religiosos, históricos e turísticos merecem destaque.

Do mesmo modo, o Rio de Janeiro, no Brasil, que já foi a capital federal, continua sendo a sede político-administrativa do Estado do Rio de Janeiro, é um pólo turístico internacional, concentra indústrias e conserva sítios históricos de importância ímpar.

No estudo das cidades, deve-se levar em consideração dois fenômenos que permitem estabelecer outras possibilidades de classificação. Em primeiro lugar, deve-se saber que a expansão horizontal de um sítio urbano (a área efetivamente ocupada pela cidade) pode fazer com que ele se junte e misture a outro sítio urbano, de modo que seus limites geográficos mal podem ser distinguidos.

A esse fenômeno dá-se o nome de conurbação e é ele quem gera as metrópoles, ou seja, a união de várias cidades que funcionam, na prática, como uma única cidade. Diversas capitais brasileiras já passaram pelo fenômeno e constituem regiões metropolitanas, embora a metrópole brasileira por excelência seja a Grande São Paulo, cujo núcleo é formado por São Paulo/Capital e o ABCD (Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema), embora conte, em seu total, com 39 cidades.

Nos países desenvolvidos, as regiões metropolitanas podem estar de tal forma interligadas e existir entre elas tamanha circulação de pessoas, serviços, mercadorias, capital e informações que se formam as megalópoles. Nos Estados Unidos, por exemplo, considera-se uma megalópole Bos-Wash, a região que se estende de Boston a Washington, incluindo grandes metrópoles como Nova York, Newark, Filadelfia e Baltimore.

Considerando-se que as cidades não estão isoladas, mas obrigatoriamente estabelecem relações com outras, pode-se porceder uma nova classificação e uma hierarquia entre diversos centros urbanos. Para isso, leva-se em conta, sobretudo, a importância e a influência econômica que uma cidade exerce em sua relação com as outras.

Assim, pode-se falar em metrópoles nacionais, como São Paulo e o Rio de Janeiro; metrópoles regionais, como Recife e Porto Alegre; em centros regionais, como Ribeirão Preto, no norte de São Paulo, ou Vitória da Conquista, no sul da Bahia; ou em cidades locais, que constituem a grande maioria das cidades de qualquer país.

Uma última distinção pode ser estabelecida no que se refere às metropoles. Elas podem se caracterizar como:

# Cidades globais: aquelas em que se concentra a movimentação financeira, onde se situam as sedes de grandes empresas ou escritórios filiais de multinacionais, importantes universidades e centros de pesquisa. Elas dispõem da infra-estrutura necessária para a realização de negócios nacionais e internacionais, como aeroportos e/ou portos, bolsas de valores e avançados sistemas de telecomunicações, além de uma ampla rede de hotéis, bancos, centros de convenções, de eventos e de comércio.

# Megacidades: são cidades com mais de 10 milhões de habitantes.
Sendo o conceito de megacidade meramente populacional, ele pode se mesclar ao de cidade global. Nova York (EUA), Tóquio (Japão) e São Paulo (Brasil) são simultaneamente cidades globais e megacidades. A Europa apresenta diversas cidades globais que, entretanto, não são megacidades: Londres (Reino Unido), Paris (França), Milão (Itália), Frankfurt (Alemanha). A Ásia concentra diversas megacidades que, contudo, não são cidades globais: Pequim (China), Nova Délhi, Calcutá e Mumbai (Índia), Karachi (Paquistão). Na África, Lagos (Nigéria) é uma megacidade.

----------------------

Fontes: Aqui e aqui.
Algumas partes do texto foram extraídas do livro Geografia - Pesquisa e Ação

A indústria e a produção do espaço geográfico - Circuitos de produção

O espaço da indústria

Não é exagero afirmar que o espaço geográfico contemporâneo é o resultado das transformações introduzidas pela Revolução Industrial em suas diferentes etapas. O modo de vida atual é, direta ou indiretamente, fruto das transformações trazidas pela tecnologia industrial.

Independentemente do fato de um lugar abrigar, ou não, a indústria em seu espaço físico, ela está presente nos produtos consumidos pela população local, nos meios de comunicação e nos meios de transporte.

A indústria foi responsável pelas grandes transformações urbanas, pela multiplicação de diversos ramos de serviços que caracterizam a cidade moderna e pelo desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, que, nacional e mundial­mente, interligaram as regiões. Foi responsável também pela maior produtividade, pela consequente elevação da produção agrícola e pelo êxodo rural. Além disso, introduziu um novo modo de vida e novos hábitos de consumo, criou novas profissões, promoveu uma nova estratificação da sociedade e uma nova relação desta com a natureza.

O setor secundário foi predominante durante um longo período, mas a necessidade de reciclagem constante na área técnico-científica deslocou as atenções para o setor terciário, que passou a incluir novos serviços, como a pesquisa e o desenvolvimento.

No quadro de desenvolvimento acelerado que caracteriza os tempos atuais, a informática e a robótica exercem um papel de destaque, impulsionando a nova revolução industrial que está em curso: a revolução técno-científica.

A evolução da indústria

"Indústria" é o conjunto das atividades realizadas na transformação de objetos em estado bruto, as chamadas matérias-primas, naturais ou não, em produtos que tenham uma aplicação e satisfaçam as necessidades do homem.

Quanto a sua evolução histórica, podemos reconhecer três estágios fundamentais:

Artesanato – Estágio em que o produtor executava sozinho todas as fases da produção e até mesmo a comercialização do produto. Não havia divisão do trabalho nem o emprego de máquinas, somente de ferramentas simples. (até o séc. XVII)

Manufatura – A manufatura corresponde ao estágio intermediário entre o artesanato e a maquinofatura. Nesse estágio já ocorria a divisão do trabalho, mas a produção ainda dependia fundamentalmente do trabalho manual, embora já houvesse o emprego de máquinas simples. Esse estágio corresponde a fase inicial do capitalismo. (1620-1750).

Maquinofatura – É o estágio atual, iniciado com a Revolução Industrial. Podendo ser caracterizado pelo emprego maciço de máquinas e fontes de energia modernas, produção em larga escala, grande divisão e especialização do trabalho. (1750 até hoje).

A Revolução industrial

Por Revolução Industrial podemos entender as profundas transformações resultantes do progresso da técnica aplicada à indústria, ou seja, a passagem de uma sociedade rural e artesanal para uma sociedade urbana e industrial. Com o seu desenvolvimento, a indústria se expande da Inglaterra, estabelecendo-se em outros países europeus e mais tarde para outra áreas fora da Europa Ocidental.

As principais causas da Revolução Industrial foram:

- Acumulação de capitais provenientes da expansão comercial e da política mercantilista;
- Transformações na estrutura agrária, liberando mão-de-obra para a cidade;
- Acelerado processo de urbanização;
- Ascensão da burguesia.

Invenções mecânicas e a utilização de fontes de energia modernas

Essa etapa da expansão industrial dos países desenvolvidos (séc. XVIII e XIX) é denominada de industrialização clássica, enquanto o processo de industrialização dos países desenvolvidos (segunda metade do séc. XX) é chamada de industrialização tardia ou retardatária.

Dentro do estágio da maquinofatura, ocorreram ainda, devido aos grandes avanços tecnológicos, a Segunda Revolução Industrial (1870-1945) e a Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-científica (após 1945).

Características da Primeira e Segunda revolução industrial

O espaço geográfico, a partir das transformações socioeconômicas dos séculos XV e XVI, passou a ter abrangência mundial. A organização espacial variou de acordo com papel diferenciado que ocuparam as colônias, as metrópoles e outras regiões do globo, com maior ou menor grau de integração ao novo sistema econômico.

Porém, a mais profunda transformação espacial ocorreu com a introdução da indústria moderna na Inglaterra, que marcou o inicio do capitalismo industrial (concorrencial ou liberal). A industrialização não provocou mudanças apenas na forma de produção, mas direcionou toda a configuração do espaço atual. Modificou as relações sociais e territoriais, difundiu cultura e técnica, aprofundou a competição entre os povos, concentrou a população no espaço e provocou o crescimento cada vez maior das cidades.

Com a invenção da máquina a vapor e sua incorporação à produção industrial, os trabalhadores eram obrigados a trabalhar conforme o ritmo das máquinas, de maneira padronizada. Outra parte da mão-de-obra disponível foi requisitada para trabalhar nas minas de carvão (fonte de energia dessa primeira fase da Revolução Industrial). Nesse período, o “lucro” não advinha mais da exploração das colônias, mas sim, da produção de mercadorias pelas indústrias, que trazia embutido a exploração dos trabalhadores através da mais-valia.

Nos séculos XVIII e XIX, o capitalismo florescia na forma de pequenas e numerosas empresas, que competiam por uma fatia do mercado, sem que o Estado interferisse na economia. Nessa fase (liberal), predominava a doutrina de Adam Smith, segundo a qual o mercado deve ser regido pela livre concorrência, baseada na lei da oferta e da procura.

Dentro das fábricas, mudanças importantes aconteceram: a produtividade e a capacidade de produzir aumentaram velozmente; aprofundou-se a divisão do trabalho e cresceu a produção em série. Nessa época ocorreu o que se convencionou chamar de Segunda Revolução Industrial. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo. Pela primeira vez, tendo como pioneiros a Alemanha e os Estados Unidos, a ciência era apropriada pelo capital, sendo posta a serviço da técnica, ao contrário da primeira revolução industrial onde as tecnologias eram resultados espontâneos e autônomos. Agora empresas eram criadas com o fim de descobrirem novas técnicas de produção.

Com o brutal aumento da produção, acirrou-se cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de se garantirem novos mercados consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos.
Foi dentro desse quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África, o que consolidou de vez a divisão internacional do trabalho.

Durante a Segunda fase da Revolução Industrial, o desenvolvimento da industrialização em outros países e a aplicação de novas tecnologias à produção e ao transporte modificaram profundamente a orientação liberal. As novas tecnologias foram empregadas nas indústrias metalúrgica, siderúrgica, no transporte ferroviário entre outras. Esses setores industriais dependiam de investimentos maiores que aqueles realizados na primeira fase da Revolução Industrial. Era necessário a união de vários empreendedores para a produção das novas mercadorias. Boa parte da indústria passou a contar com o capital bancário ou financeiro.

No final do séc. XIX, a fusão entre o capital industrial e o financeiro e, mesmo a fusão entre indústrias, levou ao aparecimento de empresas gigantescas, os monopólios e oligopólios (empresas de grande porte que se associam para controlar o mercado), ocorrendo, com isso, um enfraquecimento da livre concorrência. Pela baixa competitividade, as pequenas empresas, que não acompanharam essa nova tendência do desenvolvimento econômico capitalista, faliram ou foram absorvidas pelas grandes.

A revolução técnico-científica

A ciência, no estágio atual, está estreitamente ligada à atividade industrial e às outras atividades econômicas: agricultura, pecuária, serviços. É um componente fundamental para as empresas - o desenvolvimento científico e tecnológico é rever­tido em novos produtos e em redução de custos, permitindo a elas maior capacidade de competição num mercado cada vez mais disputado.

O Estado, por meio das universidades e de outras instituições, também estimula o desenvolvimento econômico, preparando pessoas e capacitando-as ao exercício de funções de pesquisa, na área industrial ou agrícola, assim como no desenvolvimento de tecnologias, transferidas ou adaptadas às novas mercadorias de consumo ou aos novos equipamentos de produção. Nesse sentido, a pesquisa cientifica aplicada ao desenvolvimento de novos produtos tornou-se parte do planejamento estratégico do Estado, visando ao desenvolvimento econômico.

Com a Revolução Técnico-científica, o tempo entre qualquer inovação e sua difusão, em forma de mercadorias ou de serviços, é cada vez mais imediato. Os produtos industriais classificados genericamente como de bens de consumo duráveis, especialmente aqueles ligados aos setores de ponta como a microeletrônica e informática, tornam-se obsoletos devido à rapidez com que são superados pela introdução de novas tecnologias.

Os impactos mundiais dos avanços técnico-científicos foram marcantes a partir da Segunda Guerra Mundial. Foi possível delimitar o início de uma Terceira Revolução Industrial.

A microeletrônica, o microcomputador, o software, a telemática, a robótica, a engenharia genética e os semicondutores são alguns dos símbolos dessa nova etapa. Essa fase tem modificado radicalmente as rela­ções internacionais e os processos de produção característicos do sistema fabril introduzido pela Revolução Industrial, bem como tem possibilitado a criação de novos produtos e a utilização de novas matérias-primas e fontes de energia.

Os recursos sintéticos permitem a produção das matérias-primas nos próprios países desenvolvidos. Esse fato é, ao mesmo tempo, alentador e preocupante. Numa perspectiva de preservação da natureza, a exploração de recursos minerais não-renováveis diminuirá. No entanto, haverá uma conseqUente queda dos investimentos, em países subdesenvolvidos, por parte de empresas multinacionais ligadas à mineração e a outras atividades extrativas. Além disso, os países fornecedores de matérias-primas perderão, gradativamente, importantes itens de suas pautas de exportação.

Esse novo contexto criado pelas novas tecnologias de produção alteram inclusive os antigos critérios de localização industrial. Atualmente a instalação das grandes empresas multinacionais não está necessariamente associada à proximidade de fontes de matérias-primas e de mão-de-obra barata.

Apenas alguns setores industriais, como calçados, têxteis, brinquedos, montagem de aparelhos de TV e eletroeletrônicos, ainda tiram vantagem quanto à sua instalação em regiões onde prevalecem a baixa qualificação e o custo reduzido da mão-de-obra. Mas esta não é a tendência da economia industrial da Revolução Técníco-cíentífica, cujo pressuposto é produzir cada vez mais, com cada vez menos trabalhadores.

Tanto na Primeira como na Segunda Revolução Industriai, a margem de lucro das empresas se elevava à proporção que os salários decresciam. Quanto menor o salário, maior era o lucro retido pela empresa. O pro­cesso de expansão das multinacionais intensificou-se a partir da década de 50 em direção aos países do Terceiro Mundo e seguia este mesmo princípio: a elevação das taxas médias de lucro tinha como pressuposto a exploração da mão-de-obra barata desses países.

A Revolução Técnico-científica, movi­da pela produtividade, ao mesmo tempo em que pode gerar mais riquezas e ampliar as taxas de lucros, é também responsável pelo desemprego de centenas de milhares de pessoas em todo o mundo.

Os novos processos de produção

A necessidade de redução dos custos por parte das empresas para a geração de maiores lucros e o surgimento de novos pro­dutos e recursos de produção industrial exigiram alterações nas tradicionais práticas de produção norte-americanas, universais a partir da década de 50, com a expansão das multinacionais. A especialização do trabalhador em determinada tarefa e a produção em escala, preconizadas pelo fordismo e pelo taylorismo, não são os atributos mais adequados à produção industrial deste final de século.

O trabalho repetitivo tem sido substituído pelo trabalho criativo, que atende às constantes variações do cotidiano da linha de produção. Começam a surgir os Círculos de Controle de Qualidade, nos quais grupos de trabalhadores reúnem-se e discutem a melhoria da qualidade do produto e o aumento de produtividade. Em contraste com o fordismo e o taylorismo, onde a responsabilidade e a habilidade de cada trabalhador ficavam restritas a uma única tarefa, nos Círculos de Controle de Qualidade implantados nas empresas mais modernas, o trabalhador passa a ter conhecimento de todo o processo produtivo e a nele intervir. É provável que em pouco tempo o trabalho repetitivo, característico da indústria até recentemente, fique restrito à ação das máquinas.

Por meio desses novos métodos, várias características da mercadoria podem ser modificadas em pouco tempo. Alterações no design, introdução ou substituição de componentes e até a produção de uma outra mercadoria totalmente diferente podem ser feitas a partir de pequenas reestruturações no interior da mesma fábrica, utilizando-se os mesmos equipamentos.

Tal flexibilidade da atividade industrial tornou-se necessária num mundo em que a evolução da tecnologia provoca uma diminuição frequente da vida útil das mercado­rias. A constante modificação e a criação de produtos são hoje exigências do próprio mercado de consumo.

Esse sistema de produção totalmente adaptado ao mercado ficou conhecido pelo nome de just-in-time (tempo justo). No interior da fábrica, as diferentes etapas de produção, desde a entrada das matérias-primas até a saída do produto, são realizadas de forma combinada entre fornecedores, produtores e compradores. A quantidade de matérias-primas que entram na fábrica corresponde exatamente à quantidade de produtos que serão produzidos. As mercadorias são feitas dentro do prazo estipulado e de acordo com a exigência dos compradores. Além da eficiência, o sistema just-in-time permite a diminuição do custo de estocagem e o volume da produção fica diretamente relacionado à capacidade de mercado, evitando-se perdas de estoque ou diminuição do preço, caso ocorra uma defasagem tecnológica do produto.

Os tipos de indústria

Conforme os bens que produz, podemos classificar: indústrias tradicionais e indústrias dinâmicas.

Indústrias de bens de produção ou de base (indústria pesada)

São principalmente as siderúrgicas, as metalúrgicas, as petroquímicas e as de cimento. Essas indústrias transformam grande quantidade de matéria-prima e por isto costumam localizar-se próximas a portos, ferrovias e fontes de matéria-prima para facilitar o recebimento desta última e facilitar o escoamento da produção.

Indústria de bens de capital ou bens intermediários

A principal função dessas indústrias é equipar indústrias de todos os tipos: elas produzem máquinas, ferramentas, autopeças e outros bens. Localizam-se próximo aos centros de consumo, isto é, em grandes regiões industriais.

Indústrias de bens de consumo (leve)

Estão mais ligadas ao mercado consumidor e à oferta de mão-de-obra, por isto estão mais dispersas espacialmente. O destino de sua produção é o grande mercado consumidor. Temos indústrias de bens de consumo duráveis e de bens de consumo não-duráveis.

A indústria automobilística

Durante os anos de expansão econômica (1950-1973), o automóvel foi o símbolo da sociedade de consumo. Este enorme desenvolvimento da produção automobilística deu lugar a vários problemas, como a saturação do consumo em muitos países e a forte concorrência entre as marcas. Para frear a crise, propuseram-se soluções como a fusão de empresas e a automação da produção, o que provocou uma considerável redução dos postos de trabalho.

Taylorismo

Em 1911, o engenheiro norte-americano Frederick W. Taylor publicou “Os princípios da administração científica”, ele propunha uma intensificação da divisão do
trabalho, ou seja, fracionar as etapas do processo produtivo de modo que o trabalhador desenvolvesse tarefas ultra-especializadas e repetitivas. Diferenciando o trabalho intelectual do trabalho manual. Fazendo um controle sobre o tempo gasto em cada tarefa e um constante esforço de racionalização, para que a tarefa seja executada num prazo mínimo. Portanto, o trabalhador que produzisse mais em menos tempo receberia prêmios como incentivos.

Fordismo

O norte-americano Henry Ford foi o primeiro a pôr em prática, na sua empresa “Ford Motor Company”, o taylorismo. Posteriormente, ele inovou com o processo do fordismo, que, absorveu aspectos do taylorismo. Consistia em organizar a linha de montagem de cada fábrica para produzir mais, controlando melhor as fontes de matérias-primas e de energia, os transportes, a formação da mão-de-obra. Ele adotou três princípios básicos;

1) Princípio de Intensificação: Diminuir o tempo de duração com o emprego imediato dos equipamentos e da matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado.
2) Princípio de Economia: Consiste em reduzir ao mínimo o volume do estoque da matéria-prima em transformação.
3) Princípio de Produtividade: Aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem. O operário ganha mais e o empresário tem maior produção.

Toyotismo

Sistema de produção criado no Japão que tinha em sua base a tecnologia da informática e da robótica, isso ocorreu na década de 1970, e primeiramente foi usado na fábrica da Toyota. Nessa modalidade de produção o trabalhador não fica limitado a uma única tarefa, o operário desenvolve diversas atividades na produção. Outra criação desse sistema é o just-in-time, produzir a partir de um tempo já estipulado com intenção de regular os estoques e a matéria-prima.

Volvismo

No fim do século passado emergiu um novo modelo de organizar e gerenciar a produção industrial. Como na maioria dos outros modelos de produção, esse foi desenvolvido na fábrica da Volvo, e conciliou execução manual e automação. No Volvismo há um grande investimento no trabalhador em treinamentos e aperfeiçoamento, no sentido que esse consiga produzir por completo um veículo em todas as etapas, além de valorizar a criatividade e o trabalho coletivo e a preocupação da empresa com o bem estar do funcionário, bem como sua saúde física e mental.


Indústrias tradicionais ou dinâmicas

As indústrias tradicionais são aquelas ligadas às descobertas da Primeira Revolução Industrial. Utilizam muita mão-de-obra e pouca tecnologia.
As indústrias de ponta, ao contrário, utilizam muito capital e tecnologia e pouca força de trabalho (mão-de-obra).

Os novos setores industriais

As indústrias de ponta

Denominam-se indústrias dinâmicas ou de tecnologia de ponta aqueles setores nos quais a pesquisa exerce um papel fundamental. Sua atividade depende em grande parte das inovações que geram. Estas indústrias necessitam de grandes investimentos para funcionar e dedicam grande parte deles ao desenvolvimento de novas pesquisas, para criar novos processos de produção e novos produtos.

As empresas: a base da produção industrial

A empresa constitui o núcleo central do sistema econômico capitalista. Trata-se de uma unidade econômica que produz bens e serviços destinados a serem vendidos, para o que utilizam dois elementos fundamentais: o trabalho e o capital. As empresas podem ser classificadas segundo sua estrutura financeira, seu tamanho e sua área de influência.

Os fatores de localização industrial

As indústrias buscam localizar-se naquelas zonas que permitem baratear seus custos de produção. Tradicionalmente as empresas, sobretudo as pesadas, tendem a localizar-se onde o custo do transporte é menor, aproximando-se das fontes de energia ou das matérias-primas. Outros setores industriais, especialmente os leves, tendem a localizar-se próximos aos mercados de consumo.

A divisão internacional do trabalho

As economias de diferentes países do mundo apresentam uma certa especialização. A divisão mais simples outorgava aos países desenvolvidos a especialização na fabricação de produtos manufaturados e deixava para os do Terceiro Mundo a produção de matérias-primas. Na atualidade, essa situação é mais complexa, já que muitas empresas que necessitam de mão-de-obra não qualificada transferem suas fábricas para países subdesenvolvidos, com mão-de-obra abundante e barata.

As grandes regiões industriais do mundo

As indústrias tendem a concentrar-se geograficamente ao longo dos grandes eixos de comunicação e dos espaços urbanos bem conectados. Quando a concentração é considerável, formam-se as denominadas regiões industriais. As tradicionais zonas industriais correspondem aos países ricos: áreas produtoras de carvão e ferro, vales industriais, zonas urbanas e portuárias. Na atualidade,muitas zonas tradicionais foram afetadas pela desconcentração industrial e requerem uma urgente reconversão de suas atividades.

Expansão da indústria mundial

Já a maioria das novas regiões industriais, mais bem adaptadas aos novos processos de produção, encontram-se nas regiões dinâmicas dos países do Extremo Oriente, ou ao redor das grandes metrópoles dos países desenvolvidos. Nas últimas décadas, alguns países asiáticos experimentaram um rápido crescimento econômico. Os denominados "Tigres" estão conseguindo consolidar sua posição mundial industrialmente, ainda que as rápidas transformações socioculturais tenham gerado certos desequilíbrios.
Nos últimos anos, a indústria chinesa também começou a despontar graças à aplicação de novas políticas econômicas. As denominadas Zonas Econômicas Especiais do litoral chinês, que gozam de ampla liberdade econômica, situam-se entre as regiões mais dinâmicas do mundo.

Distribuição industrial no Brasil

No Brasil, as principais regiões industriais estão concentradas na região Sudeste, no triângulo formado pelas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Outras áreas podem ser chamadas de periféricas: áreas metropolitanas de Curitiba, Porto Alegre, Recife e Salvador; Zona Franca de Manaus, Goiânia (GO), Campo Grande (MS) e Vale do Itajaí (SC).

Para ver os circuitos de produção, entre aqui, aqui e aqui.

--------------------

Fonte: Esse site fera aqui.

O Brasil e a economia global: mercados internacionais

A política externa do Brasil é fundamentada no artigo 4º da Constituição Federal de 1988, que determina, nas relações do Brasil com outros países e organismos multilaterais, os princípios da não-intervenção, da autodeterminação dos povos, da cooperação internacional e tentativa de solução pacífica de conflitos. Ainda segundo a Constituição Federal de 1988, a política externa é de competência exclusiva do Poder Executivo federal, cabendo ao Legislativo federal as tarefas de ratificação de tratados internacionais e aprovação dos embaixadores designados pelo Presidente da República.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE), também conhecido como Itamaraty, é o órgão do Poder Executivo responsável pelo assessoramento do Presidente da República na formulação, desempenho e acompanhamento das relações do Brasil com outros países e organismos internacionais. A atuação do Itamaraty cobre as vertentes política, comercial, econômica, financeira, cultural e consular das relações externas, áreas nas quais exerce as tarefas clássicas da diplomacia: representar, informar e negociar.

As prioridades da política externa são estabelecidas pelo Presidente da República. Anualmente, durante a Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, geralmente no mês de setembro, o Presidente da República, ou o Ministro das Relações Exteriores, faz um discurso onde são apresentados, ou reiterados, os temas de maior relevância para o governo brasileiro. Ao longo das últimas duas décadas, o Brasil tem dado ênfase à integração regional, às negociações de comércio exterior em plano multilateral e à expansão da presença brasileira na África, Ásia, Caribe e Leste Europeu, por meio da abertura de novas representações diplomáticas.

Na América do Sul, o Brasil tem buscado adequar sua atuação às dimensões econômica, demográfica e territorial que ocupa no subcontinente.

O exercício de uma liderança, que os números indicam ser natural, é constrangida, porém, pela pouca consistência de um projeto brasileiro de organização continental, deficiência que resulta em engajamento apenas retórico das lideranças políticas, acadêmicas e econômicas nacionais, e em concreta escassez de recursos financeiros para gastos externos com projetos de integração física (hidrovias, estradas, aeroportos), energética (gasodutos, refinarias) e financeira.

Pricipais mercados internacionais com participação brasileira

IBAS - G3

O Fórum IBAS é uma iniciativa trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul, desenvolvida no intuito de promover a cooperação Sul-Sul. Como resultado das discussões entre os Chefes de Estado e/ou o Governo dos países do IBAS, na reunião do G-8, que ocorreu em Evian em 2003, e das conseqüentes consultas trilaterais, os Ministros das Relações Exteriores dos respectivos países encontraram-se em Brasilia, em 6 de junho de 2003. Nesta reunião, entre os ministros Nkosazana Dlamini Zuma, da África do Sul; Celso Amorim, do Brasil; e Yashwant Sinha, da Índia, o lançamento do Fórum de Diálogo IBAS foi formalizado, a partir da adoção da “Declaração de Brasília”.

Os objetivos principais do Fórum do Diálogo IBAS são:

# Promover o diálogo Sul-Sul, a cooperação e posições comuns em assuntos de importância internacional;

# Promover oportunidades de comércio e investimento entre as três regiões das quais os países fazem parte;

# Promover a redução internacional da pobreza e o desenvolvimento social;

# Promover a troca de informação trilateral, melhores práticas internacionais, tecnologias e habilidades, assim como cumprimentar os respectivos esforços de sinergia coletiva;

# Promover a cooperação em diversas áreas, como agricultura, mudança do clima, cultura, defesa, educação, energia, saúde, sociedade de informação, ciência e tecnologia, desenvolvimento social, comércio e investimento, turismo e transporte.

O Fórum de Diálogo IBAS promove consultas regulares nos níveis de Oficial Sênior (Pontos Focais), Ministeriais (Comissões Mistas Trilaterais) e Chefes de Estado e/ou Governo (Cúpula), mas facilita também a interação entre acadêmicos, iniciativa privada e outros membros da sociedade civil.

Mercosul


O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado em 1991 com a assinatura do Tratado de Assunção no Paraguai. Os membros deste importante bloco econômico do América do Sul são: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Embora tenha sido criado apenas em 1991, os esboços deste acordo datam da década de 1980, quando Brasil e Argentina assinaram vários acordos comerciais com o objetivo de integração. Chile, Equador, Colômbia, Peru e Bolívia puderam entrar neste bloco econômico, pois assinaram tratados comerciais e já organizaram suas economias para tanto. Participam até o momento como países associados ao Mercosul.

No ano de 1995, foi instalada a zona de livre comércio entre os países membros. A partir deste ano, cerca de 90% das mercadorias produzidas nos países membros podem ser comercializadas sem tarifas comerciais. Alguns produtos não entraram neste acordo e possuem tarifação especial por serem considerados estratégicos ou por aguardarem legislação comercial específica.

Em julho de 1999, um importante passo foi dado no sentido de integração econômica entre os países membros. Estabelece-se um plano de uniformização de taxas de juros, índice de déficit e taxas de inflação. Futuramente, há planos para a adoção de uma moeda única, a exemplo do fez o Mercado Comum Europeu.

Atualmente, os países do Mercosul juntos concentram uma população estimada em 311 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) de aproximadamente 2 trilhões de dólares.

OMC


A partir do crescimento de transações comercias em nível mundial e do intenso processo de globalização de capitais, mercadorias e da própria produção, que são itens ligados diretamente à dependência dos países, sobretudo, dos pobres em relação aos ricos, surge a necessidade da criação de organismos internacionais e órgãos financeiros que possam regular as disparidades econômicas e comerciais existentes no mundo.

Apesar de todos os países às vezes agirem em pleno consentimento ou em conjunto, sempre os desenvolvidos conseguem exercer pressão sobre aqueles de menor desenvolvimento, sobressaindo conforme seus interesses, essa diferença é extremamente elástica.

Diante desses fatores, se torna relevante a implantação de uma organização que avalie as relações comerciais e que possa zelar pelo interesse de países que sofrem pressões e que em vários casos ficam prejudicados.

Com objetivo de tentar amenizar o processo, a OMC (Organização Mundial do Comércio) ocupa um lugar de destaque no cenário mundial, no mesmo patamar que se encontra importantes órgãos financeiros internacionais como o FMI e o Banco Mundial. A OMC está sediada na cidade de Genebra na Suíça, a organização foi criada em 1995.

No ano de 2000 a OMC era integrada por 142 países, o órgão tem como finalidade impor regras e normas para estabelecer um entendimento entre os países e as instituições internacionais que atuam no campo econômico.
Antes da instauração da OMC, existia o GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) que foi implantado a partir de 1947 para estabelecer o livre comércio, no entanto, não havia uma consideração em relação as disparidades existentes entre os países, dessa forma, todos os tributos de exportação e importação eram iguais, com isso as economias fragilizadas nem sempre conseguiam prosperar economicamente.

As maiores dificuldades que a Organização Mundial do Comércio encontra estão relacionadas ao protecionismo, como as que ocorrem na França, que taxou todos os produtos agropecuários, a inserção de tributos impede a entrada de mercadorias dessa natureza, oriundos de outros lugares, com essa atitude o governo visa proteger os seus produtores.

Na verdade, a intenção dos países desenvolvidos é que as barreiras alfandegárias sejam retiradas, no entanto, somente para entrada de seus produtos em outros territórios, já no processo contrário querem estabelecer medidas protecionistas.
Uma das funções da organização é de atuar como um intermediador, no momento em que dois países geram conflitos por motivos comerciais, derivados por medidas protecionistas de um dos lados.

-- Rodada Doha --


Rodada Doha nada mais é do que uma série de negociações em prol da liberalização do comércio mundial. A mesma foi criada em 2001, durante a 4ª Conferência Ministerial da OMC, em Doha (Qatar), cidade que lhe rendeu o nome. De fato, tais negociações, feitas entre as maiores potências comerciais do mundo, envolvem inúmeras questões e interesses de cada um, se apresentando como algo bastante complexo.
O principal problema da Rodada Doha é, justamente, a preocupação excessiva de cada país em favor de seus próprios interesses, uma vez que, teoricamente, o maior propósito das negociações seria o desenvolvimento dos países pobres e o combate à fome. Todas essas questões já foram discutidas nas rodadas em Cancun, Genebra, Paris, Hong Kong e Potsdam.

De forma bastante simplificada, podemos dizer que os países emergentes, como a Índia, por exemplo, querem que a União Européia e os Estados Unidos diminuam os impostos aos produtos agrícolas estrangeiros. Já os países desenvolvidos querem, em troca, uma maior abertura para seus produtos industrializados. Em outras palavras, podemos dizer que todos querem mercados mais abertos para seus produtos, mas não desejam abrir seus próprios mercados, pois temem que tal abertura prejudique suas economias.

Alca


A Alca é a Área de Livre Comércio das Américas, acordo proposto pelos Estados Unidos da América onde se criaria uma zona sem barreiras alfandegárias disseminando assim a entrada de produtos norte-americanos nas Américas Central e Sul.
Participariam desse acordo 34 nações americanas, com exceção de Cuba por ter divergências ideológicas com os Estados Unidos. O primeiro prega o socialismo e a soberania, já o segundo pratica o capitalismo.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos 34 países seria de aproximadamente 13 trilhões de dólares, superando em 2 trilhões o PIB da União Européia (UE). A população da ALCA seria cerca de 850 milhões de habitantes, já a da União Européia é de cerca de 374 milhões. Isso faria com que a hegemonia da União Européia decrescesse, dessa forma a ALCA igualaria ou superaria o bloco europeu.

Antecedentes

O capitalismo na década de 1990 encontrava-se em um momento muito importante, diversos continentes davam início à corrida pela criação de Blocos Econômicos Supranacionais, todos com intuito de fortalecerem suas economias. Diante dessa nova realidade o então presidente norte-americano, George Bush, anunciou suas novas regras estratégicas com a criação de uma zona de livre comércio. Na tentativa de aumentar a entrada de produtos norte-americanos nas demais Américas. Porém, esse acordo foi parcialmente esquecido, sendo retomado em 1994, pelo sucessor de Bush, Bill Clinton.

A primeira reunião entre a Cúpula Americana para discutir esse acordo ocorreu em 1994, momento em que foi exposto o desejo norte-americano de unir as Américas, utilizando como principal argumento a luta pela hegemonia das Américas.

A princípio, a ALCA iria acabar gradativamente com as barreiras comerciais e de investimentos, com isso aproximadamente 85% dos produtos e serviços transacionados na região ficariam isentos de impostos. Cada país ou bloco iria estabelecer sua própria alíquota de importação para países não pertencentes ao grupo.
Após a primeira Cúpula para discutir a ALCA, em Miami, os Ministros de Comércio do Hemisfério se reuniram quatro vezes para formular e executar um plano de ação para o acordo.

O que significa o acordo para seus defensores?

A ALCA daria origem a um paraíso de consumo, eliminando qualquer restrição à circulação de mercadorias, serviços e capitais.

O que representaria esse acordo para a maioria da população?

Segundo o embaixador Samuel Pinheiro, “o livre comércio daria condição ao cidadão para comprar importados mais baratos e de melhor qualidade. Mas o consumidor, na condição de trabalhador, poderia perder o seu emprego. Os importados mais baratos acarretariam dificuldades para as fábricas ou empresas, fato que poderia gerar desemprego”.

Osvaldo Martínez diz que: - “A ALCA seria um projeto norte-americano para criar um acordo de livre comércio entre a economia dos Estados Unidos, a mais rica e poderosa do planeta, e as economias latino-americanas e caribenhas, subdesenvolvidas, endividadas, dispersas e cujo Produto Interno Bruto, somado, é quase dez vezes inferior ao dos EUA. Podendo concluir que não é nem mais nem menos, do que um projeto de integração entre o tubarão e as sardinhas.”

Foram realizadas inúmeras manifestações contra a ALCA, pois os argumentos utilizados pelos norte-americanos não convenceram a população latina de que o acordo seria algo vantajoso para eles. Por fim, em 2005 foi oficialmente abandonado o acordo da ALCA, com a saída da Venezuela e do Brasil.

Fóruns internacionais dos quais o Brasil também participa:

Relações bilaterais

O Brasil tem relações diplomáticas com todos os países do mundo, exceto Taiwan, pois não o reconhece oficialmente como país independente.

------------------

Fontes: Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

PAC

Acho que o conteúdo da DP da Fádua está meio bagunçado...
De qualquer forma, ele não fala nada sobre o PAC, que eu tenho certeza que a profª passou ano passado. Não vou colocar textos sobre isso aqui, mas fiz uma relação de sites que podem ajudar um pouquinho pra quem esteja interessado:

- Síntese da Wikipedia;
- Site oficial do programa, entre se você estiver preparado para um puxa saquismo filha da mãe;
- Especial PAC, do Uol Notícias. Não dei uma olhada, mas acho que vale a pena.

Nada que ninguém não encontraria jogando no Google, mas a intenção é a que conta. xD

Dinâmica do povoamento e Organização do Espaço Geográfico

A explicação para a forma de ocupação do espaço geográfico brasileiro está na medida que o mercado mundial demandava produtos com possibilidades e vantagens concretas de exploração, o que levou a implantação de várias atividades exportadoras justificando não somente a forma de ocupação do Brasil, como, simultaneamente, a construção de sua diferenças regionais.
Foi composto, até a década de 50, pelo chamado “arquipélago econômico”, isto é, regiões econômicas isoladas entre si e voltadas para atender as necessidades do colonizador europeu.

Uma das consequências desse modelo de ocupação do território brasileiro são as formas e as marcas diferenciadas deixadas no extenso território nacional conforme se desdobravam os diversos ciclos econômicos voltados para exportação.

- O ciclo do ouro em Minas Gerais representou o processo de integração e de articulação do interior do território, e de afirmação da própria nacionalidade brasileira.

- O adensamento inicial da população ao longo do litoral brasileiro é explicado pela forma como se distribuem os grandes planaltos e planícies. A presença de escarpas abruptas do Planalto Brasileiro, próximas ao mar, em grandes extensões do litoral sudeste, constituiu, no passado, uma barreira natural à penetração do interior do país.

- A visão de “arquipélagos econômicos” começou a se desfazer pela contínua interiorização do cultivo do café no oeste paulista e das demais atividades agrícolas induzidas pela sua expansão.
O deslocamento do café pelo Vale do Paraíba fluminense, até atingir o planalto paulista, representou o primeiro grande movimento de desmatamento em direção ao interior do país.

- Nesse contexto de expansão econômica, os rios constituíram “caminhos naturais” de penetração para o interior do continente, modelando as suas margens com surgimento de núcleos urbanos e a expansão agrícola próximo às suas margens.

- O movimento de integração do espaço geográfico nacional necessário à formação e ampliação do mercado interno foi viabilizado pela construção de uma rede técnica, isto é, na expansão de rodovias e na geração/distribuição de energia a partir da segunda metade da década de 50 e, mais intensamente, nos anos 70.

- A criação de Brasília, nesse período, altera não apenas o mapa político do país como também cria uma rede de circulação nacional, favorecendo à ampliação do mercado interno além de servir de plataforma de penetração ao espaço amazônico, impactando, diretamente, seus frágeis ecossistemas florestais.

------------------

Fonte: Clique aqui, champsú!

PS: Um dos problemas das apostilas do governo (acho que muita gente já reparou nisso) é a repetição de tarefas, tem sempre uma pesquisa na Situação de Aprendizagem seguinte àquela que você tinha acabado de ver que pede a mesma coisa. De certa forma até ajuda a fixar o conteúdo, mas irrita, enche o saco e faz a gente perder tempo pra cacete.

Além disso, os assuntos são difíceis de pesquisar, as fontes são poucas e os trabalhos sempre saem mais ou menos iguais. No caso desse tópico, por exemplo, o assunto é consequência dos ciclos econômicos que eu ACABEI DE POSTAR, o que poderia ter sido pedido em uma única pesquisa pra economizar tempo e choradeira.

Quando isso não acontece, as atividades são tão ridículas e repetitivas que até um aluninho do pré poderia responder sem dificuldade nenhuma...
Por essas e outras eu detesto os Cadernos do Aluno!!!! =D

PS²: Só para explicar - estou fazendo a DP de Geografia da Fádua, não vejo nenhum problema nisso porque aí eu também reviso o conteúdo do ano passado.
Aliás, acho que vou fazer todas as DPs que estão no quadro de avisos da escola e talz, inclusive já me ofereci para fazer a de Biologia do Marcos mesmo.

A Era Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco, foi professor, político, jornalista, diplomata, historiador e biógrafo. Nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 20 de abril de 1845, e faleceu na mesma cidade, em 10 de fevereiro de 1912.

Rio Branco era filho de José Maria da Silva Paranhos, o visconde do Rio Branco. Cursou o Colégio Pedro II, a Faculdade de Direito de São Paulo, depois a de Recife. Bacharel em 1866, viajou pela Europa e, na volta, regeu a cadeira de Corografia e História do Brasil no Imperial Colégio.


Em 1869, foi nomeado promotor público de Nova Friburgo. No mesmo ano acompanhou, como secretário da Missão Especial, o visconde do Rio Branco ao rio da Prata e ao Paraguai. No mesmo caráter se manteve, em 1870 e 1871, nas negociações de paz entre
os membros da Tríplice Aliança e o Paraguai.

Regressando ao Rio, dedicou-se ao jornalismo. Foi dirigir o jornal A Nação, juntamente com Gusmão Lobo. Em maio de 1876, Rio Branco deixava o jornalismo para aceitar o cargo de cônsul-geral do Brasil em Liverpool.

Em 1884, recebeu a comissão de delegado à Exposição Internacional de São Petersburgo e, depois de proclamada a República
, foi nomeado, em 1891, em substituição do conselheiro Antonio Prado, superintendente geral na Europa da emigração para o Brasil, cargo que exerceu até 1893.

Durante a estadia na Europa, produziu várias obras: redigiu uma Memória sobre o Brasil para a Exposição de São Petersburgo; para o Le Brésil, de Sant'Anna Nery, escreveu Esquisse de l'Histoire du Brésil; apresentou contribuições para a Grande Encyclopédie, de Levasseur, na parte relativa ao Brasil.

Argentina e Amapá

Em 1893, Floriano Peixoto escolheu Rio Branco para substituir o barão Aguiar de Andrade, falecido no desempenho da missão encarregada de defender os direitos do Brasil aos territórios das Missões. A questão, nos últimos dias do Império, fora submetida ao arbitramento do presidente Cleveland, dos EUA, como resultado do tratado de 7 de setembro de 1889, concluído com a Argentina.

Rio Branco, encarregado de advogar os pontos de vista brasileiros, apresentou ao presidente Cleveland uma exposição, acompanhada de valiosa documentação, reunida em seis volumes, A questão de limites entre o Brasil e a Argentina, obra que muito contribuiu para o laudo arbitral de 5 de fevereiro de 1895, inteiramente favorável às pretensões brasileiras.

Em 1898, foi encarregado de resolver outro importante assunto diplomático: a questão do Amapá. O Tratado de 10 de abril de 1897 escolheu para árbitro da questão o presidente da Suíça. Rio Branco vinha estudando a questão do Amapá desde 1895. Ao chegar a Berna, apresentou uma memória de sete volumes. A sentença arbitral, de 1º de dezembro de 1900, foi favorável ao Brasil, e o nome de Rio Branco foi colocado em plano de superioridade em relação a qualquer outro político ou estadista brasileiro da época.

Ministro das Relações Exteriores

Em 31 de dezembro de 1900 foi nomeado ministro plenipotenciário em Berlim. Em 1902 foi convidado pelo presidente Rodrigues Alves a assumir a pasta das Relações Exteriores, na qual permaneceu até a morte, em 1912.

Logo no início de sua gestão, defrontou-se com a
questão do Acre, território fronteiriço que a Bolívia pretendia ocupar, solucionando-a pelo Tratado de Petrópolis. A seguir, encetou negociações com outros países limítrofes, cujas fronteiras com o Brasil suscitavam questões litigiosas. Seu empenho encerrou as velhas disputas que o Brasil mantinha com quase todos os países da América do Sul.

Em 1901, apesar dos esforços e do valor intelectual do plenipotenciário brasileiro, João Nabuco, a questão da Guiana Inglesa foi resolvida, por laudo do árbitro Victor Emanuel, rei da Itália, contra o Brasil. Rio Branco, no entanto, soube entender os motivos do laudo que despojava o Brasil de uma parte do seu território e deu a Joaquim Nabuco a compensação de nomeá-lo embaixador do Brasil em Washington.

Definindo o contorno do território brasileiro

Veio, depois, uma série de tratados memoráveis: em 1904, com o Equador; em 1906, com a Guiana Holandesa; em 1907, com a Colômbia; em 1904 e 1909, com o Peru; em 1910, com a Argentina. Ficavam definidos, de um modo geral, os contornos do território brasileiro, assim como, com pequenas alterações, ainda hoje subsistem.

Além da solução dos problemas de fronteira, Rio Branco lançou as bases de uma nova política internacional, adaptada às necessidades do Brasil moderno. Foi, nesse sentido, um devotado pan-americanista, preparando o terreno para uma aproximação mais estreita com as repúblicas hispano-americanas e acentuando a tradição de amizade e cooperação com os Estados Unidos.

---------------------

Fonte: Uol Educação S2~

PS: Quem dera se eu tivesse encontrado esse artigo ano passado, esse tal de Barão andou me assombrando pra cacete... Carinha chato, mew!!!

Ciclos econômicos brasileiros

A economia brasileira viveu vários ciclos ao longo da História do Brasil. Em cada ciclo, um setor foi privilegiado em detrimento de outros, e provocou sucessivas mudanças sociais, populacionais, políticas e culturais dentro da sociedade brasileira.

Ciclo do Pau-brasil

O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil, madeira avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa, e abundante em grande parte do litoral brasileiro. Os portugueses instalaram feitorias e sesmarias (lotes de terras) e escravizavam os índios para que estes realizassem o corte e o carregamento da madeira por meio de um sistema de trocas conhecido como escambo.

Além do pau-brasil, outras atividades de extrativismo predominaram nessa época, como a coleta de drogas do sertão.

Ciclo da cana-de-açúcar

O ciclo econômico da cana-de-açúcar começa quando acaba o ciclo do pau-brasil e com a divisão do território da colônia do Brasil até a linha imaginária do Tratado de Tordesílhas em Capitanias Hereditárias. Em 1502 chega ao Brasil, Américo Vespúcio trazendo da Ilha da Madeira, as primeiras plantas de cana de açúcar.

A cana-de-açúcar era o produto que dava lucro à Coroa além de colaborar na concretização de colonização da colônia portuguesa do Brasil.

Negros africanos (escravos) e indígenas era a mão de obra utilizada na produção e industrialização da cana-de-açúcar. Mas o preço dos escravos africanos era alto. Os portugueses possuiam poucos recursos para a implantação da cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Precisavam comprar escravos, preparar a terra, fazer o plantio e colheita, instalar os engenhos para a fabricação do açúcar, transportar e distribuir o produto na Europa.

Não tendo recursos, a solução encontrada foi aliar-se aos holandeses que financiaram a implantação do cultivo e transformação da cana-de-açúcar no Brasil. Em troca, os holandeses ficaram com a comercialização do produto na Europa.

Com o propósito português da produção de riquezas o dever na Colônia era produzir o máximo pelo menor custo possível. Nas sesmarias, que eram grandes quantidades de terras (latifúndios) distribuídas pelos donatários e governadores-gerais aos colonos, é que se desenvolveu o processo da cana-de-açúcar. Surgiram os grandes engenhos baseados na monocultura da cana-de-açúcar com a mão de obra escrava. Outros produtos (milho, feijão, mandioca,...) só eram produzidos para subsistência dos moradores da sesmaria.

O nordeste, por possuir o solo (argiloso) de fácil adaptação da cana-de-açúcar transformou-se no pólo açucareiro do Brasil. O Pernambuco e a Bahia eram as maiores capitanias produtoras de açúcar.

Engenho era o nome dado à grande propriedade latifundiária que explorava a produção de açúcar, formada pelas plantações, a casa-grande, a capela, a senzala e a própria fábrica do açúcar (engenho). Eram desmatadas imensas áreas para o plantio da cana-de-açúcar.

Na casa-grande funcionava a administração do engenho. Nela também residia o proprietário e sua família.

A capela ficava próxima à casa-grande. Era o local das orações dos habitantes do engenho.

Na senzala moravam os escravos. Era um grande galpão que alojava os escravos. Alguns engenhos maiores, possuiam centenas de escravos hospedando-se miseravelmente nestes galpões.

Na fábrica do açúcar (engenho) trabalhavam parte dos escravos na moenda, na casa das caldeiras e na casa de purgar.

A moenda era utilizada para moer (esmagar) a cana e extrair o caldo.Na casa das caldeiras, o caldo era fervido em grandes tachos até engrossar.

E na casa de purgar o melaço da cana era colocado em fôrmas de barro para secagem até endurecer. Era a rapadura de hoje. Estes blocos (rapaduras) de açúcar eram enviados a Portugal. De lá seguiam para a Holanda onde recebiam o refinamento. E assim os holandeses faziam a sua parte no acordo que era a comercialiazação do açúcar na Europa.

Tráfico negreiro

A agricultura da cana introduziu o modo de produção escravagista, baseado na importação e escravização de africanos. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado de tráfico negreiro.

O tráfico negreiro só é interrompido em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós.

Pecuária

A pecuária extensiva ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos portugueses, levando o povoamento do litoral para o interior. Com o aumento da produção de cana de açucar no litoral brasileiro, o gado que era usado como força matriz nos engenhos, além de serem fornecedores de carne e couro, foram empurrados para o interior do Brasil, uma vez que a monocultura da cana demandava cada vez mais areas maiores no litoral em função do solo ser mais favorável aquela cultura.

Avançando pelo interior do Brasil, utilizando-se do Rio São Francisco (Rio da Integração Nacional)o gado desceu o "Velho Chico" instalando fazendas de gado por todo o longo do seu curso, daí sua denominação também de Rio dos "Currais" chegando o gado que inicialmente saiu da Bahia até os Estados do Pìauí e Maranhão, sendo estes responsáveis pela ocupação e povoamento do Sul do Estado do Maranhão.

Ciclo da mineração (1709-1789)

Durante todo o século XVIII, expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos e pedras preciosas. Afinal, já no início do século estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo, nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Bahia. A descoberta de ouro, diamante e esmeraldas nessa região provocou um afluxo populacional vindo de Portugal e de outras áreas povoadas da colônia, como São Paulo de Piratininga, São Vicente e o litoral nordestino. Já de início, o choque na corrida pelas minas levou a um conflito entre paulistas e outros.

Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia, proporcionada pelos tropeiros.

Diamantes

Os primeiros diamantes no Brasil foram encontrados por volta de 1729, tendo logo despertado a atenção da Coroa Portuguesa. Um regulamento genérico despertou viva resistência entre os mineradores e, em termos fiscais, mostrou-se ineficaz com relação aos diamantes, cujas características incentivavam a sua ocultação.

O seu principal centro produtor foi o Arraial do Tijuco, na Comarca do Serro do Frio, marcado, além do seu natural isolamento geográfico, pela severidade da legislação diamantífera e pelo rigor da fiscalização da Metrópole. No ano seguinte, a extração foi proibida por cinco anos, até que se encontrasse uma maneira mais eficaz de controle por parte da Coroa, e, principalmente, até que se recuperassem os preços internacionais do quilate, abalados pela abundância da oferta.

Superada esta fase inicial, institui-se o sistema de arrematação por contratos, que perdurou até
1771.

A partir de 1771, foi criada a Real Extração, sob controle direto da Coroa. Este sistema perdurou até mesmo depois da Independência do Brasil, sendo a Real Extração extinta por Decreto apenas em 1832.

Economia na Era Imperial (1822-1889)

Ao tornar-se independente em 1822, o Brasil possuía uma economia voltada para a exportação de matérias-primas. O mercado interno era pequeno, devido à falta de créditos e a quase completa subsistência das cidades, vilas e fazendas do país que se dedicavam à produção de alimentos e a criação de animais. Durante a primeira metade do século XIX, o Estado imperial investiu pesadamente na melhoria das estradas terrestres e detinha por sua vez, um memorável sistema de portos que possibilitava uma melhor troca comercial e comunicação entre as regiões do país.

A economia do Brasil era extremamente diversificada no período pós-Independência, mas foi necessário um grande esforço por parte do governo monárquico para realizar a transmutação de sistema econômico puramente escravocrata e colonial para uma economia moderna e capitalista. Contudo, a monarquia fora capaz de manter até o fim de sua existência o extremamente notável crescimento econômico iniciado com a vinda do então príncipe-regente dom João ao Brasil. Isto foi possível, em parte, graças ao liberalismo adotado pelo regime monárquico, que favorecia a iniciativa privada.

Para um país carente de capitais, seria necessário investir o tanto quanto possível nas exportações, buscando alcançar uma balança superavitária. Contudo, tal feito fora complicado pela completa falta de produtos manufaturados no país, que resultou num aumento considerável das importações, criando um déficit contínuo.

Com o passar das décadas em que surgiram novas tecnologias e com o aumento da produtividade interna, as exportações aumentariam consideravelmente, possibilitando alcançar o tão almejado equilíbrio na balança comercial.

Para se ter uma idéia do potencial econômico do país durante o Império, caso "tivesse podido manter o nível de produtividade conquistado em 1780 e conseguido ampliar as exportações com ritmo igual ao verificado na segunda metade do século XIX, sua renda per capita em 1950 seria comparável à da média dos países da Europa Ocidental, e o país não se teria atrasado tanto". Ou seja, no início da segunda metade do século XX, não só o país seria mais rico, mas o povo brasileiro também, que por sua vez teria uma condição de vida muito superior a existente atualmente.

Agricultura

A agricultura no Brasil detinha um papel extremante importante. Na região norte e nordeste, principalmente nas províncias do Maranhão, Pernambuco, Alagoas e Paraíba ocorria o cultivo de algodão em conjunto com culturas de alimentos (para a própria subsistência e venda nos mercados locais), que era produzido por pequenos e médios lavradores.

Na região sudeste, a produção de café que no início do brasil independente respondia por percentual de apenas 3% nas exportações, foi se tornando a cada década mais e mais importante para a economia brasileira, principalmente devido ao aumento extraordinário no mercado consumidor internacional. As fazendas cafeeiras eram praticamente auto-sustentáveis, pois não só o café era produzido, mas também a alimentação e vestuário para os escravos, negando a possibilidade de surgimento de outros setores econômicos voltados para este mercado. Entretanto, a extinção do tráfico negreiro (e o conseqüente encarecimento no valor dos escravos) obrigou aos produtores a focarem na manutenção da mão-de-obra em detrimento da auto-sustentabilidade. Buscava-se, então, impedir uma alta nos custos da produção.
Para se manterem competitivos nos mercados internacionais, os produtores agrícolas com ajuda governamental buscaram modernizar a produção, adotando inovações técnicas e tecnológicas.
Os benefícios eram muitos, mas o principal era o barateamento do custo de produção, pois o sustento de escravos revelara-se mais oneroso que o pagamento de salários a trabalhadores livres.

A província de São Paulo foi a melhor logrou sucesso nessa empreitada, realizando a transição do antigo sistema econômico escravocrata para o moderno capitalista. A província do Rio de Janeiro, contudo, se revelou incapaz de assimilar as novas tendências do mercado, preferindo manter a utilização de mão-de-obra escrava até o fim, o que eventualmente causaria o seu colapso. O governo imperial não se limitou a facilitar o crédito para a compra de equipamentos modernos ou a vinda de imigrantes, mas também diminuiu vários impostos para colaborar com o esforço de modernização da produção agrícola do país.


Indústria

A Indústria brasileira tem sua origem remota nas oficinas artesanais datadas do início do século XIX.

A extinção do tráfico negreiro em 1850, ao contrário do que muitos autores alegam, não providenciou uma "liberação" de crédito para a área industrial.

Contudo, o capital antes empregado no tráfico foi direcionado a setores como os de: empresas de serviços urbanos, transportes, bancos e comércio.

Diferente da visão costumeira acerca do tema, o governo imperial criou diversos incentivos para a industrialização do país.
Ao final da década de 1860, ocorre um novo surto industrial causado por dois conflitos armados: a Guerra Civil norte-americana e a Guerra do Paraguai. Na primeira, a produção de algodão foi interrompida pelo bloqueio realizado pelas forças da União contra a Confederação. A segunda causou a emissão de moeda e o aumento de tarifas de importação para cobrir os gastos com o conflito. O resultado foi um grande estímulo não só para a indústria têxtil, mas também para outros setores, tais como: a química, de cigarro, de vidro, papel, de couro, de instrumentos ópticos e náuticos, etc.

Durante a década de 1870, graças a decadência da região cafeeira do vale do Paraíba e de algumas áreas de produção açucareira, muitos fazendeiros investiram não somente na indústria têxtil de algodão, mas também em outros setores manufatureiros. A implantação de uma malha ferroviária por todo o território nacional também estimulou o surgimento de novas atividades industriais, principalmente em São Paulo. A indústria naval também sofreu um grande impulso neste período. É a partir da década de 1870 que o processo de industrialização do Brasil se torna constante e revela uma grande expansão.

Ciclo do café (1800-1930)

O cefé foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX até 1930. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba e depois nas zonas de terra roxa, o grão foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos.

Como o Brasil detinha o controle sobre grande parte da oferta mundial desse produto, podia facilmente controlar os preços do café nos mercados internacionais, obtendo assim lucros elevados. O maior problema deste sistema econômico era que, sendo o Brasil um país abundante em terras disponíveis para a agricultura e em mão-de-obra sub empregada, os lucros obtidos incentivavam novas inversões de capitais no setor, elevando gradualmente a oferta de café a ser exportado. Por outro lado o seu crescimento dependia fundamentalmente do crescimento populacional dos países consumidores.

As políticas governamentais de valorização do café consistiam basicamente na compra, por parte do governo federal, dos estoques excedentes da produção de café, por meio de empréstimos externos financiados por tributos cobrados sobre a própria exportação de café. No curto prazo, tal política ajudou a sustentar os preços internacionais do produto, sustentando a renda dos exportadores. Porém, a médio e longo prazo, essa política deu uma posição de favorecimento do café sobre os demais produtos brasileiros de exportação, além de inflar artificialmente os lucros do setor, o que estimulava novas inversões de capitais na produção, pressionando ainda mais a oferta nacional de café.

A crise internacional de 1929 exerceu imediatamente um duplo efeito na economia brasileira: ao mesmo tempo em que reduziu a demanda internacional pelo café brasileiro, pressionando seus preços para baixo, impossibilitou ao governo brasileiro tomar empréstimos externos para absorver os estoques excedentes de café, devido ao colapso internacional. Todavia, o governo não poderia deixar os produtores de café a sua própria sorte e vulneráveis os efeitos da grande crise; o custo político de uma atitude como essa seria impensável para um governo que ainda estava se consolidando no poder. Por isso, a partir deste período, o Estado brasileiro passou a desempenhar um papel ativo na economia nacional.

Ciclo da borracha (1866-1913)

Na época, o único local de existência da seringueira era em toda a Amazônia. Fazendeiros, pequenos agricultores, e outros agroempresários foram atraídos para constituir fazendas silvicultoras, voltadas à extração de látex. Simples homens ergueram-se como barões da borracha, concentrando renda e relegando sua mão-de-obra à miséria e a condições análogas à escravidão.

Os lucros auferidos com tal comércio ficavam concentrados basicamente nas metrópoles amazônicas. Os lucros eram destinados principalmente às mãos dos empresários do setor financeiro.

O Ciclo da Borracha começou a ruir com as bruscas quedas na cotação internacional da borracha, graças a ampliação em demasia da oferta de látex, propiciada pela biopirataria de milhares de seringueiras ao Oriente. Porém o fator determinante para seu ocaso foi a pouca diversificação da economia amazônica, já que acreditavam que os altíssimos lucros da borracha seriam eternos. Com o fim do ciclo, houve saqueamentos, suicídios, emigração em massa, abandono de casarões e o sucateamento.

Desde a época colonial até 1930, a economia brasileira foi organizada economicamente por meio da produção e exportação de algumas poucas " commodities " agrícolas, cujas características centravam-se na produção de gêneros que interessavam ao mercado internacional. Esse fato define a economia brasileira nesse período como primário-exportadora.

Ciclo da soja (1970 - )

Desde a década de 70, o novo produto que impulsionou a economia de exportação foi a soja. O modelo adotado para o plantio foi a monocultura extensiva e mecanizada, provocando desemprego no campo e alta lucratividade.

O crescimento da cultura da soja se deu às custas da "expansão da fronteira agrícola" na direção da Amazônia, o que por sua vez vem provocando desmatamentos em larga escala.

A crise da agricultura familiar e o desalojamento em massa de lavradores ocasionou o surgimento dos movimentos de sem-terra.

Industrialização e desenvolvimentismo (1945-1964)

O chamado desenvolvimentismo foi a corrente econômica que prevaleceu nos anos 50, do segundo governo de Getúlio Vargas até o Regime Militar.

O modelo de transporte adotado foi o rodoviário, em detrimento de todos os demais.

O Brasil desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou elevadas taxas de crescimento econômico. Todavia, o governo muitas vezes manteve suas contas em desequilíbrio, multiplicando a dívida externa e desencadeando uma grande onda inflacionária.

Em 1967, é criada a Zona Franca de Manaus.

Milagre Econômico (1969-1973)

Entre 1969 e 1973, o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos e aumentou a renda de todos os trabalhadores. Houve, porém, ampliação da concentração de renda.

A industrialização ocorreu, principalmente, no eixo Rio-São Paulo e atraiu para esta região uma imigração em massa das regiões mais pobres do país, principalmente o Sertão Nordestino.

Recessão e crise monetária (1973-1990)

Da Crise do Petróleo até o início dos anos 1990, o Brasil viveu um período prolongado de instabilidade monetária e de recessão, com altíssimos índices de inflação combinados com arrocho salarial, aumento da dívida externa e crescimento pífio.

Já na década de 80, o governo brasileiro desenvolveu vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso. O resultado foi o não pagamento de dívidas com credores internacionais, o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 1980, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida".

Abertura Econômica (1990-2003)

O governo de Collor teve como principal lema a falência do projeto desenvolvimentista como motor de crescimento. A partir de então, observou-se uma crescente abertura comercial e uma série de privatizações.

A estabilidade monetária só foi alcançada com a implantação do Plano Real. Houve uma melhora da renda sem precedentes para as classes mais baixas. O ministro da fazenda, Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente com ampla margem. Sua presidência foi caracterizada por avanços nos processos de modernização e redistribuição de renda.

A implementação de políticas redistributivas ajudou a reduzir a concentração de renda, porém com efeitos muito inferiores aos do fim da inflação.

A política econômica baseada no câmbio flutuante e numa política monetária austera visando o controle da inflação foi mantida no governo de Lula. Do ponto de vista fiscal, o controle do superávit se deu através de um aumento substancial de arrecadação que contrabalanceou a significativa elevação nos gastos públicos.

Apesar das reduzidas taxas de crescimento, principalmente comparadas com as obtidas entre 1948 e 1979, houve uma significativa redução da desigualdade social no período entre 1990 e 2007 bem como uma melhora substancial em outros índices como os de escolaridade e de mortalidade infantil.

-------------------

Fonte: Wikipedia-san...

Sobre mim!

Juliana Fernandes, estudante de 18 anos com sérios problemas mentais, inaugura seu 123343º blog, desta vez com o intuito de reunir o máximo de informação possível para o vestibular (e coisas mais!)
Junto ao seu fiel parceiro invisível, sem nome e inexistente, ela continua sua árdua tarefa de manter-se atualizada para não levar mais tapas da profª de Matemática de Pinhal City, a roça!!
Não perca o próximo capítulo dessa incrível aventura!!


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

- Clarice Lispetor


Tigrão do zoo de São Paulo!
Tecnologia do Blogger.

Seguidores~

Pesquisar...