Ética na mídia

Texto 1
Ética e propaganda

São Paulo, 01 de setembro de 2003

Ao
Digníssimo Senhor
Dr. Gilberto Nonaka
Promotoria de Justiça do Consumidor

Assunto: “MULHER E KAISER: ESPECIALIDADES DA CASA”

Prezado Dr. Gilberto:

É com satisfação que o CLADEM-Brasil, seção nacional do Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher, com o apoio das demais entidades signatárias, encaminha o presente documento a essa Douta Promotoria de Justiça do Consumidor, a fim de que o mesmo seja juntado aos autos do Inquérito Civil e possa servir como subsídio a orientar eventual acordo com a empresa patrocinadora da campanha publicitária denunciada - “Mulher e Kaiser: Especialidades da Casa” –, veiculada por meio da confecção de descansos de copos para cerveja amplamente distribuídos no país.

Atendendo, pois, à solicitação verbal dessa Promotoria de Justiça do Consumidor, as entidades signatárias vêm apresentar as seguintes propostas para eventual acordo visando a reparação de danos morais provocados por publicidade discriminatória patrocinada pela Kaiser:

Contrapropaganda

Sugerimos a realização de contrapropaganda patrocinada integralmente pela empresa, visando fomentar uma cultura de respeito à igualdade de gênero, com a eliminação de preconceitos e práticas discriminatórias contra a mulher.

A proposta sugerida vai no sentido de que a contrapropaganda seja feita:

a) por meio da confecção e ampla distribuição no país de descansos de copos para cerveja com frases contra a discriminação às mulheres e em favor da igualdade entre homens e mulheres;

b) por meio de filmes, anúncios e spots publicitários a serem veiculados nos meios de comunicação de massa: outdoor, televisão, rádio, jornais e revistas de grande circulação e alcance no país, os quais contenham imagens, textos e mensagens de conteúdo contra a discriminação às mulheres e em favor da igualdade entre homens e mulheres;

c) sempre contendo referência ou nota adicional de que se trata de contrapropaganda decorrente do presente acordo.

Como contribuição adicional, apresentamos algumas idéias indicativas do tom e espírito da contrapropaganda sugerida e desejada:

* Quem vive as diferenças merece uma Kaiser
* Quem respeita as diferenças merece uma Kaiser
* Quem busca a igualdade merece uma Kaiser
* Respeito às Mulheres: Especialidade da Kaiser
* Cerveja e Respeito às Mulheres: Especialidades da Kaiser
* Igualdade, Dignidade, Respeito à Diferença: Especialidades da Kaiser
* Em mesa que tem Kaiser, mulheres e homens são diferentes, mas não desiguais
* Gosto não se discute... se respeita: eu gosto de Kaiser, por respeito à igualdade, às diferenças e à diversidade
* Kaiser: um brinde à diversidade
* Kaiser: um brinde à igualdade, à diferença e à diversidade
* A Kaiser está revendo seus conceitos e adverte: Mulher não é cerveja
* Mulher não é especialidade da casa! só Kaiser...

Enfim, que a concepção da contrapropaganda - com seriedade, criatividade, diversão e bom-humor - esteja pautada nos valores de igualdade e não-discriminação, promovendo uma imagem positiva das mulheres e rompendo, definitivamente, com a tradicional, ultrapassada e, acima de tudo, discriminatória estratégia de marketing fundada na associação MULHER-OBJETO.

Manifestamos, ainda, nosso desejo e disposição para contribuir no processo de elaboração da contrapropaganda, por meio de diálogo e consultoria junto ao departamento de marketing da empresa e/ou da agência responsável pela sua elaboração.

Nesse sentido, solicitamos que, especialmente na fase de aprovação da contrapropaganda, anterior à sua veiculação, seja garantida a nossa participação, de forma a evitar que se produzam eventuais equívocos e/ou distorções, bastante comuns quando se pretende transmitir mensagens desta natureza.

Seminários regionais

Sugerimos, também, como medida pró-ativa de contribuição à promoção da igualdade de gênero e eliminação da discriminação contra as mulheres, que a empresa patrocine integralmente a realização de seminários regionais no Brasil – no Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul - sobre a imagem da mulher na mídia, dirigidos à sensibilização e capacitação:

a) de pessoal ligado à área de mídia e comunicação, propaganda e marketing, jornalistas, publicitários/as, etc...;

b) de ONGs (organizações não-governamentais), com foco para o monitoramento da mídia;

c) que inclua as perspectivas de gênero, étnico-racial e de direitos humanos, com sistematização da experiência para divulgação junto aos públicos citados nos itens a) e b), bem como ao corpo docente e discente de faculdades de comunicação do país.

Desde já, colocamo-nos à disposição para contribuir à elaboração e execução de projeto voltado à realização dos referidos seminários no país, estabelecendo parcerias e apoios junto às entidades signatárias e outras comprometidas com a temática, com o fim de garantir o adequado cumprimento da proposta.

Sem dúvida, as propostas apresentadas não são exaustivas e não impedem a utilização de outros meios e formas de veiculação da contrapropaganda sugerida, bem como de outras atividades voltadas à promoção da igualdade de gênero e contra a discriminação às mulheres.

Por fim, cabe lembrar que as propostas aqui apresentadas estão alinhadas com as mais recentes recomendações do Comitê das Nações Unidas sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher (Comitê CEDAW) ao Estado Brasileiro no documento CEDAW/C/2003/II/CRP.3/Add.2/Rev.1, de 18 de julho de 2003, o qual, em seus parágrafos 33 e 34, estabelece, respectivamente:

“O Comitê expressa sua preocupação com a evidente persistência de visões conservadoras e estereotipadas, comportamentos e imagens sobre o papel e responsabilidades de mulheres e homens, os quais reforçam um "status" inferior das mulheres em todas as esferas da vida”.

“O Comitê recomenda que políticas sejam desenvolvidas e que programas dirigidos a homens e mulheres sejam implementados para ajudar a garantir a eliminação de estereótipos associados aos papéis tradicionais na família, no trabalho e na sociedade em geral. Recomenda, também, que os meios de comunicação (mídia) sejam encorajados a projetar uma imagem positiva das mulheres e da igualdade no status e nas responsabilidades de mulheres e homens, nas esferas pública e privada”.

Estamos confiantes no acolhimento pela empresa das propostas aqui apresentadas, as quais, devidamente implementadas, trarão benefícios a todos os atores envolvidos e à sociedade em geral, e em especial, representarão um avanço para um sério e real enfrentamento da problemática da discriminação em relação às mulheres, em inédita e histórica ação conjunta entre Ministério Público, empresa e sociedade civil.

Atenciosamente
Silvia Pimentel
coordenadora nacional do CLADEM-Brasil

Texto 2
Paparazzo de Cicarelli cobra "ética" da mídia

RAUL JUSTE LORES
da Folha de S.Paulo

Parece brincadeira, mas quem anda reclamando da ética da imprensa por causa do polêmico vídeo de Daniela Cicarelli e seu namorado em uma praia espanhola é o paparazzo espanhol Miguel Temprano, 42, autor da filmagem.
Para muitos, ele é o vilão que estragou o que seria um dia de paixão explícita na praia de Tarifa, sul da Espanha, perto do Estreito de Gibraltar.

O paparazzo se diz desgostoso com a falta de ética dos meios brasileiros que "não pagaram pelo que exibiram".
Enquanto Daniela Cicarelli pediu que todos cuidassem de sua vida e a deixassem em paz (e anuncia processos milionários), Temprano se sente injustiçado e também pretende ganhar seu dinheirinho.

"Estou muito bravo com os meios de comunicação brasileiros, que não agiram eticamente", disse Temprano à Folha, de Madri, onde vive. "Aquelas imagens são fruto de muito suor, de trabalho honrado. Não pagaram por essas imagens, isso é roubo!"
Temprano acusa a mídia brasileira de "pirataria". Sobram também ataques ao YouTube. Como os barões da música que atacavam o MP3, o fotógrafo diz que o YouTube é "100% ilegal". "Eles usam as imagens sem nenhum copyright. Vou denunciá-los, eles terão que me pagar direitos de autor."

Temprano se recusa a falar do dia em que filmou Cicarelli, da ética do seu trabalho ou mesmo de detalhes mais picantes. "Não posso falar enquanto não for pago." Como não é de ferro, diz que "dará uma entrevista superdivertida" a quem pagar pelas fotos. Não admite ser confundido com um vigarista. "Não sou um paparazzo qualquer, sou formado, tenho diploma, sou jornalista!"

Texto 3
Ética na mídia

Fritz Utzeri

Todos os dias o profissional de comunicação se defronta com questões de ética: "da mesma forma que um médico pode causar um dano ao paciente, um jornalista pode fazer a mesma coisa". Ojornal pode ter poder mortífero: é rápido para denunciar, mas para corrigir é extremamente lento. Os jornais, segundo o expositor, não são necessariamente "antiéticos", mas há momentos em que é nitidamente antiético o que os jornais fazem.

Depois de descrever casos de sua prática profissional, o expositor ressaltou a necessidade de atenção permanente do profissional de comunicação. "A do profissional de jornalismo é maior: deve-se buscar sempre a prova". O jornal é capaz de "condenar e executar".

Há na imprensa, segundo o expositor, uma promiscuidade entre público e privado e pensamentos e conceitos, que são aceitos como "normais" pelos círculos de poder, deixando o cidadão confuso, causando repugnância.

Tudo isto porque a imprensa lida com a excepcionalidade. O ideal é sempre o da isenção, não adjetivação, mas na prática tudo isto é muito difícil, pois duas pessoas falando da mesma coisa não produzirão uma mesma visão dos problemas.

Destacou inicialmente que a regra de ouro do jornalismo é o tratamento igualitário. Há a necessidade de provar, e não condenar. Há instâncias na sociedadehabilitadas para exercer este papel, ou seja, não caberia à imprensa substituir o poder judiciário.

Da mesma forma a mídia pode nuclear processos e movimentos da sociedade "para o bem" ou "para o mal". O profissional de comunicação, ao veicular um determinado tema, questão ou conceito, acaba muitas vezes por "catalisar" determinados tipos de posturas, movimentos públicos ou individuais das relações dos indivíduos com as instituições e os poderes constituídos. Ao mesmo tempo em que se tem o poder de levantar polêmicas e movimentos em torno de causas de interesse público, pode-se condenar injustamente indivíduos.

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Esses textos se referem ao tema de um trabalho em grupo que o Gabriel passou faz um tempinho. Na época não vi necessidade de postar, mas no final me incomodei e resolvi corrigir.

Fontes: aqui e aqui, o terceiro texto eu tive que digitar e não há fontes dele...

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Sobre mim!

Juliana Fernandes, estudante de 18 anos com sérios problemas mentais, inaugura seu 123343º blog, desta vez com o intuito de reunir o máximo de informação possível para o vestibular (e coisas mais!)
Junto ao seu fiel parceiro invisível, sem nome e inexistente, ela continua sua árdua tarefa de manter-se atualizada para não levar mais tapas da profª de Matemática de Pinhal City, a roça!!
Não perca o próximo capítulo dessa incrível aventura!!


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

- Clarice Lispetor


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