Primeiro Emprego é instável e sem direitos

Além de ter dificuldade para achar um emprego, a primeira experiência do jovem no mercado de trabalho é, muitas vezes, marcada pela instabilidade e pela falta de direitos. Essa é uma das conclusões da pesquisa desenvolvida por Adalberto Cardoso, do Iuperj, num projeto de estudo sobre desigualdades financiado pelo CNPq. Cardoso comparou, nas Pnads de 1986, 1992 e 2005, a escolarização e a forma de inserção no mercado de trabalho de cada geração de jovens desse período.

O estudo mostra, por exemplo, que, em 2005, quase metade (49,7%) dos homens de 24 anos de idade estava em ocupações instáveis, ou seja, onde o tempo médio de permanência era menor. Alguns (12,6% do total dos que tinham 24 anos) estavam em profissões que, além de instáveis, não ofereciam direitos. "Isso mostra que a primeira ocupação estável na vida do jovem acontece muito tarde, e esse quadro persiste mesmo após um período em que o pais conseguiu criar empregos formais", diz Cardoso. Para Cláudio Dedecca, economista da Unicamp, o governo federal erra ao não levar em conta as características das ocupações que mais empregam jovens. "Um dos principais focos da política de geração de emprego hoje são o empreendedorismo e o cooperativismo. São formas de trabalho que exigem uma jornada de trabalho muito alta e que não atraem os jovens.

O problema é que a gente formula políticas para o jovem, mas com a cabeça de quem é mais velho." O secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Remígio Todeschini, defende os programas federais dizendo que beneficiaram 1,477 milhão de jovens. Todeschini rebate críticas ao programa Primeiro Emprego, afirmando que ele tem sido exitoso nas ações de qualificação e ao voltar-se para a população de baixa renda e escolaridade incompleta.

Já a secretária-adjunta da Secretaria Nacional da Juventude, Regina Novaes, defende inserir em programas de qualificação profissional atividades que desenvolvam habilidades dos jovens e trabalhem com novas tecnologias, além de integrar ações permitindo que o aluno tenha continuidade na formação para o mercado. "Quando começamos a fazer um diagnóstico do setor, detectamos casos de "jovens de projeto". Eles entravam em um programa, terminavam ou não, e iam para outro. O esforço agora é pensar em programas com sequência, que tenham porta de entrada e de saída para que o jovem consiga inserção no mercado. Isso não se faz da noite para o dia", diz ela.

Além do aumento dos índices de abandono e de reprovação de jovens, um outro dado reforçou a preocupação em torno do ensino médio: a queda de matrículas entre 2004 e 2005. A diminuição em todo o país foi de 1,5% no período. Três estados, porém, chamaram a atenção porque perderam mais estudantes de 15 a 17 anos, idade considerada adequada para o ensino médio. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo registraram quedas de 4,17%, 3,18% e 6,45%, respectivamente. Desse total, entre um e dois pontos percentuais estão ligados a jovens de 15 a 17.


Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, um dos fatores que explicam o desinteresse do jovem pela escola foi a proibição, entre 1997 e 2004, de integrar o ensino médio ao profissional: "O jovem, principalmente de baixa renda, muitas vezes está em uma série com idade defasada e se vê obrigado a trabalhar para ajudar em casa ou por já ser pai. Se não curar o ensino médio integrado ao profissional, não consegue ver sua realidade na escola e se sente desestimulado". Rubem Klein, da Fundação Cesgranrio, também destaca a necessidade de integrar mais o ensino médio a uma formação profissional. "Se a escola não aumentar a empregabilidade desses jovens, eles vão continuar evadindo". Haddad diz que, para enfrentar esse problema, o governo revogou em 2004 a proibição de integrar essas duas etapas. Com isso, o aluno pode, em uma mesma escola e turno, terminar o ensino médio e optar por um curso profissionalizante. A oferta de vagas depende agora dos Estados e das escolas. Para a coodenadora do programa FGV Ensino Médio, Marieta de Moraes Ferreira, a qualificação dos professores é questão central quando se trata de medidas para atrair os jovens de volta às salas de aula.

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