Mostrando postagens com marcador Trabalho e Juventude. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalho e Juventude. Mostrar todas as postagens

Uma nova geração está dando suas próprias respostas à falta de empregos

(Iara Biderman)

Parece um mundo ideal e um discurso restrito àqueles com melhores condições sociais e econômicas que, teoricamente, não seriam tão pressionados pela necessidade de gerar renda. Mas, para a socióloga Lívia de Tommasi, coordenadora do projeto Rede de Juventude, que atua em todo o Nordeste do Brasil, essa desvinculação entre trabalho e emprego e a concepção do trabalho como algo que seja significativo são comuns aos jovens de todas as camadas sociais, mesmo as mais desfavorecidas. “Primeiro, para esses jovens a ocupação formal simplesmente não está no horizonte; infelizmente, não há perspectiva real para isso. Por outro lado, eles querem trabalho, sim, não só por causa da necessidade do dinheiro, mas também para gratificação, crescimento pessoal. Quando pedimos para que definam trabalho com uma palavra, um adjetivo, o que ouvimos muito é prazer, satisfação, compromisso.”

Quanto ao risco de se imaginar um “mundo ideal”, ele não deve ser subestimado, afirma a socióloga Gisélia Franco Potengy, do IEC – Instituto de Estudos da Cultura e Educação Continuada, do Rio de Janeiro. “Há uma visão idealizada de que o bom é não ter um emprego fixo, ser seu próprio empregador. Mas a verdade é que há muita gente nessa situação e o mercado aberto é muito competitivo. O jovem profissional precisa estar atualizado com tudo que aparece, aberto às mudanças cotidianas do mundo da informação.” E essa atualização ininterrupta, que produz uma juventude antenada e ágil para responder criativamente aos desafios, tem o seu lado perverso. “Quem tem acesso aos instrumentais básicos, como internet, computador, boa escola, entra nesse mercado de forma competitiva. Quem não tem, entra em desvantagem em um mercado que não está tão regulamentado como antes”, diz Potengy.

O tempo dos digitais

Mas a era da informação – cujas características levaram o sociólogo italiano Domenico de Masi a usar o termo “digitais” para definir os jovens que, além da identificação com o computador, estão atentos aos avanços da ciência, sensíveis às causas sociais e ambientais, e dão uma resposta autônoma à questão do trabalho – não significa que as alternativas ao emprego formal estão apenas na rede on-line. O digital do século 21 encontra também respostas em outras formas de atuação. A economia solidária é uma delas.

“Por que a gente tem de trabalhar? Para ter uma participação economicamente ativa na sociedade. Os princípios do trabalho solidário são uma nova forma de participar, de criar uma organização horizontal, de intervir no meio em que vivemos, na comunidade”, diz Verônica Sá, do grupo Conexão Solidária, sediado em Salvador, no Liceu de Artes e Ofícios da Bahia. Verônica aplica os princípios na vida pessoal. Estudante de Relações Públicas, acha que a faculdade que cursa está muito voltada para a área empresarial, e procura, em seu trabalho, “romper com as barreiras que estão pré-formadas”.

O grupo do Liceu, que promove capacitação em nove comunidades da região de Salvador, também tem uma organização horizontal, cooperativa. Para Verônica, o Conexão é, entre outras coisas, um espaço para uma atuação profissional diferenciada – poder fazer o que gosta, da maneira que acredita ser a melhor. Esse prazer no que faz ajuda a encarar horários pouco convencionais de trabalho – sábados, domingos, às vezes noite adentro. “Meu trabalho e minha vida pessoal estão misturadíssimos, não sei onde começa um e termina o outro”, diz Verônica.


Essa mistura é típica dos jovens que podem estar desempregados, mas nunca desocupados. Conciliar períodos de trabalho intenso com épocas de pouca demanda também é comum. “Meu trabalho é prazeroso, mas há momentos em que me sinto um operário, tenho de criar e produzir direto. Mas também, na hora em que quero, fico em casa com a família. O emprego formal me impediria isso”, diz o artista plástico e arte-educador Roberto Carlos Pereira, o Bessa, de 25 anos, que tem um ateliê de bonecos na cidade de Olinda, em Pernambuco. Bessa conta que tirou sua carteira de trabalho aos 16 anos, mas nunca a usou. “Só entraria em um emprego se fosse algo em que acreditasse. Sempre tive predisposição artística, e posso me inserir em vários lugares da cadeia produtiva, sem perder a liberdade.”

E se não for artista?

O trabalho artístico tem a vantagem de ser “uma resposta criativa para uma situação dada”, diz Gisélia Potengy, “mas nem todo mundo vai ser artista, não pode ser o único caminho”, ressalva. Porém, um mix de trabalho solidário, criativo e de qualidade pode ser um caminho alternativo e eficaz. “Há um desencontro entre ter um talento e não encontrar espaço para realizá-lo”, diz Elaine Bomfim, 24, do coletivo Êxitos D’Rua, do Recife. Entre outras ações que aproveitam expressões artísticas para criar oportunidades de trabalho solidário, o coletivo utiliza as técnicas de grafitagem, por exemplo, para produzir camisetas, capas de CD, ou para anunciar shows. A inserção alternativa no mercado passa até por uma “loja solidária” – ou seja, reflete-se também no consumo desse público. Elaine acredita que podem, assim, influenciar o mercado formal. “Apesar de o senso comum associar independência e trabalho informal a algo precário, nós temos, além da responsabilidade social, a preocupação de fazer bem-feito, com qualidade profissional, e sabemos que isso dá um novo ar ao mercado.”

Colocar no mercado um produto ou serviço diferente, ou feito de forma diferente, é um jeito de enfrentar os desafios do trabalho sem se submeter às regras formais das empresas nem repetir fórmulas prontas de negócios. “Há muitos recursos, em muitos lugares. Os espertos encontram os nichos, alegremente, e podem fazer o que ninguém faz”, diz Diana Tatit, 21, do grupo Tiquequê (www.tiqueque.com), de São Paulo. Com um espetáculo diferenciado de animação de festas infantis, o Tiquequê atravessa o circuito dos bufês de classe média e oferece seu produto fino, com boa música e tratando as crianças de forma inteligente.

O “produto”, que inclui o repertório do selo infantil Palavra Cantada, dos músicos Paulo Tatit e Sandra Peres, foi inteiramente criado, e é gerenciado, pelo Tiquequê: quatro jovens de 20 e 21 anos. “Sempre penso que, na vida, é preciso estar fazendo algo criativo, mesmo que seja paralelo a outras atividades”, comenta Isabel Tatit, 20, prima de Diana e parceira no grupo. “No futuro, vai se dar bem quem tiver jogo de cintura para fazer mais coisas, misturar projetos. É descobrir alguma coisa que te apaixone e fazer aquilo. O Tiquequê funciona porque a gente gosta, tem paixão”, diz Diana.

O mote dessa turma pode ser “Crie o seu trabalho. Hoje não tem mais emprego, e sim oportunidade de trabalho”, resume Marcelo Costa, 24, coordenador para o Brasil da YES – Youth Employement Summit, uma aliança global em prol do emprego para jovens. A afirmação é realista, mas não se trata da aceitação passiva de uma situação dada. Marcelo formou-se em administração de empresas e é prova de que, mesmo nas carreiras consideradas mais integradas ao mercado formal e tradicional, há quem aposte na invenção de novas formas de trabalho – para si e para os outros. Nisso encontram identidade, prazer, significado, conhecimento. Ah, e uma forma de ganhar dinheiro.

Viver é fazer escolhas

James Corry é um presidiário do futuro, cumprindo pena em um asteroide. Vai ficar 50 anos sozinho. O comandante da nave que o leva, com pena do condenado, deixa com ele Alicia, um robô com forma de mulher. Com o tempo, James apaixona-se por Alicia. Um ano depois, o tribunal revê o processo e ele é perdoado.

A nave volta para buscá-lo, mas surge um impasse: não há espaço para Alicia. James se vê, então, na traumática situação de ter de escolher entre a liberdade e seu grande amor. Este é um enredo de um episódio do seriado "Além da Imaginação", que fez muito sucesso há alguns anos. O programa explorava os limites da mente humana por meio de situações hipotéticas, muitas delas impossíveis e bizarras.

No episódio em questão, o que se colocou foi a luta entre a razão e a emoção no processo de tomada de decisão. Algo que acontece todos os dias, pois vivemos tomando decisões. Decidimos coisas simples, como que roupa vestir de manhã e qual prato pedir no almoço; e outras mais complexas, como a priorização das tarefas, compromissos e negócios. Decisões urgentes, estratégicas, pessoais, profissionais, isoladas e em conjunto.

O que não podemos é não decidir. Mas, cuidado, há uma diferença entre decidir emocionalmente e considerar o emocional na hora de decidir. A segunda é a melhor opção, pois as decisões puramente emocionais consideram apenas o binômio prazer-desprazer. Ou seja, decisões emocionais são as que privilegiam o prazer imediato, sem respeitar as consequências futuras.

Essa é uma característica infantil, pois a criança ainda está aprendendo a lidar com a lógica, mas às vezes aparece em adultos, quando não amadureceram sua inteligência emocional. Líderes não escapam dessas ciladas da vida. James Corry ficou paralisado diante da terrível decisão. Quem agiu, então, foi Allenby, o comandante da nave, que destrói Alicia com um tiro. “Tudo o que você está deixando para trás é a solidão”, diz, colocando a situação na perspectiva adequada. Decidir pode não ser fácil, mas pior é não decidir. Se isso acontecer, a decisão será tomada de qualquer maneira, pela vida, pelos outros, pelas urgências.

(Eugenio Mussak)

Primeiro Emprego é instável e sem direitos

Além de ter dificuldade para achar um emprego, a primeira experiência do jovem no mercado de trabalho é, muitas vezes, marcada pela instabilidade e pela falta de direitos. Essa é uma das conclusões da pesquisa desenvolvida por Adalberto Cardoso, do Iuperj, num projeto de estudo sobre desigualdades financiado pelo CNPq. Cardoso comparou, nas Pnads de 1986, 1992 e 2005, a escolarização e a forma de inserção no mercado de trabalho de cada geração de jovens desse período.

O estudo mostra, por exemplo, que, em 2005, quase metade (49,7%) dos homens de 24 anos de idade estava em ocupações instáveis, ou seja, onde o tempo médio de permanência era menor. Alguns (12,6% do total dos que tinham 24 anos) estavam em profissões que, além de instáveis, não ofereciam direitos. "Isso mostra que a primeira ocupação estável na vida do jovem acontece muito tarde, e esse quadro persiste mesmo após um período em que o pais conseguiu criar empregos formais", diz Cardoso. Para Cláudio Dedecca, economista da Unicamp, o governo federal erra ao não levar em conta as características das ocupações que mais empregam jovens. "Um dos principais focos da política de geração de emprego hoje são o empreendedorismo e o cooperativismo. São formas de trabalho que exigem uma jornada de trabalho muito alta e que não atraem os jovens.

O problema é que a gente formula políticas para o jovem, mas com a cabeça de quem é mais velho." O secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Remígio Todeschini, defende os programas federais dizendo que beneficiaram 1,477 milhão de jovens. Todeschini rebate críticas ao programa Primeiro Emprego, afirmando que ele tem sido exitoso nas ações de qualificação e ao voltar-se para a população de baixa renda e escolaridade incompleta.

Já a secretária-adjunta da Secretaria Nacional da Juventude, Regina Novaes, defende inserir em programas de qualificação profissional atividades que desenvolvam habilidades dos jovens e trabalhem com novas tecnologias, além de integrar ações permitindo que o aluno tenha continuidade na formação para o mercado. "Quando começamos a fazer um diagnóstico do setor, detectamos casos de "jovens de projeto". Eles entravam em um programa, terminavam ou não, e iam para outro. O esforço agora é pensar em programas com sequência, que tenham porta de entrada e de saída para que o jovem consiga inserção no mercado. Isso não se faz da noite para o dia", diz ela.

Além do aumento dos índices de abandono e de reprovação de jovens, um outro dado reforçou a preocupação em torno do ensino médio: a queda de matrículas entre 2004 e 2005. A diminuição em todo o país foi de 1,5% no período. Três estados, porém, chamaram a atenção porque perderam mais estudantes de 15 a 17 anos, idade considerada adequada para o ensino médio. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo registraram quedas de 4,17%, 3,18% e 6,45%, respectivamente. Desse total, entre um e dois pontos percentuais estão ligados a jovens de 15 a 17.


Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, um dos fatores que explicam o desinteresse do jovem pela escola foi a proibição, entre 1997 e 2004, de integrar o ensino médio ao profissional: "O jovem, principalmente de baixa renda, muitas vezes está em uma série com idade defasada e se vê obrigado a trabalhar para ajudar em casa ou por já ser pai. Se não curar o ensino médio integrado ao profissional, não consegue ver sua realidade na escola e se sente desestimulado". Rubem Klein, da Fundação Cesgranrio, também destaca a necessidade de integrar mais o ensino médio a uma formação profissional. "Se a escola não aumentar a empregabilidade desses jovens, eles vão continuar evadindo". Haddad diz que, para enfrentar esse problema, o governo revogou em 2004 a proibição de integrar essas duas etapas. Com isso, o aluno pode, em uma mesma escola e turno, terminar o ensino médio e optar por um curso profissionalizante. A oferta de vagas depende agora dos Estados e das escolas. Para a coodenadora do programa FGV Ensino Médio, Marieta de Moraes Ferreira, a qualificação dos professores é questão central quando se trata de medidas para atrair os jovens de volta às salas de aula.

Sobre mim!

Juliana Fernandes, estudante de 18 anos com sérios problemas mentais, inaugura seu 123343º blog, desta vez com o intuito de reunir o máximo de informação possível para o vestibular (e coisas mais!)
Junto ao seu fiel parceiro invisível, sem nome e inexistente, ela continua sua árdua tarefa de manter-se atualizada para não levar mais tapas da profª de Matemática de Pinhal City, a roça!!
Não perca o próximo capítulo dessa incrível aventura!!


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

- Clarice Lispetor


Tigrão do zoo de São Paulo!
Powered By Blogger
Tecnologia do Blogger.

Seguidores~

Pesquisar...