Empreendedor em diferentes setores

Empreendedor cívico

Muitas pessoas sonham com o seu desenvolvimento e o de suas comunidades. Dentre elas, há as que transformam seus sonhos em realidade. Algumas o fazem dedicando-se à vida pública, outras a atividades provadas e ainda outras atuando em organizações da sociedade civil, essas pessoas criam, no meio em que atuam, caminhos novos para realizar suas visões. São as pessoas empreendedoras. Implementando políticas públicas inovadoras, gerando riqueza e renda ou realizando atividades sociais, elas promovem o desenvolvimento nos terrenos específicos de suas vocações. No entanto, há entre essas pessoas algumas que formam um subgrupo especial: além do que é próprio de suas áreas, elas exercem a ação empreendedora também nas conexões com as outras. São os empreendedores cívicos.

O empreendedor cívico é um tecelão: conecta e entrelaça os fios das diversas vertentes da vida comunitária, tecendo a rede social que promove o desenvolvimento. Ele não se satisfaz em fazer, reúne fazedores, ajuda-os a descobrir suas convergências e estimula-os a cooperar. Faz e faz fazer. É um agitador cultural: mobiliza mentes e corações para a mudança de cultura que transforma dependência em autonomia, "grupismo" em pluralismo e dissensão em cooperação. É um cidadão: parlamentar, magistrado, gestor público, empresário, trabalhador, executivo, técnico, líder classista, voluntário social ou estudante, pertencente a qualquer classe social, desempenhando qualquer profissão, homem ou mulher, na essência, ele não se liga em cargos, mas em encargos.

Mulheres e homens de todas as classes sociais, das mais diversas profissões e ocupações, estão agindo como emreendedores cívicos em todo o país. De norte a sul, de leste a oeste do território nacional, brotam iniciativas de civismo empreendedor. Em alguns lugares, são governantes que deixam de lado os ritos do poder e se investem da condição de cidadãos para conviver com outros cidadãos nas lides da cooperação [...]; noutros, são empresários ou trabalhadores que, transcendendo seus papéis na produção, assumem as funções de articuladores comunitários; e noutros ainda, são representantes de organizações da sociedade civil que transpõem os limites de suas corporações para tratar de interesses do conjunto da sociedade. São fatos animadores, mas ainda insuficientes. O Brasil precisa de mais e mais cidadãos desse tipo.

Adaptado de: Monteiro, 2002

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Empreendedor interno na micro e pequena empresa

Fernando Dolabela

Estabelecido como conceito há cerca de duas décadas, o intra-empreendedorismo não decolou, principalmente porque as empresas não estavam dispostas a dar os empregados a liberdade para criar (e, consequentemente, errar) e oferecer-lhes um orçamento para financiar a inovação. Além disso, não queriam arcar com os custos dos erros que, inevitavelmente, acontecem neste percurso. Não que os executivos e proprietários agora estejam dispostos a partilhar o seu poder: esta será a única saída. Muitas empresas fingem ignorá-la, mas, se quiserem continuar competindo, terão de dar espaço aos empreendedores internos.

Mas qual é o entendimento que se tem do intra-empreendedorismo? O conceito foi concebido por consultores suecos nos anos 1970. Ao perceberem que boas ideias geradas pelos empregados não eram aproveitadas, eles se propuseram a desistir dos sistemas de controle e a começar a investir nas pessoas e estimular que assumissem a desistir dos sistemas de controle e a começar a investir nas pessoas e estimular que assumissem riscos e implementassem inovações.

Hoje, o intra-empreendedorismo utiliza-se das conquistas das pesquisas relativas à atividade empreendedora. Entende-se que o empregado inovador se comporta de forma semelhante ao empreendedor proprietário, ou seja, alguém capaz de oferecer novos valores ao cliente. Mas a prática demonstra que, para ter empregados empreendedores, ou intra-empreendedores, as empresas precisam, elas próprias, serem empreendedoras. Não adianta contratar funcionários empreendedores sem que tenham criado uma cultura para recebê-los.

Por isso, os hoje raros e valiosos profissionais que se prepararam para ser empreendedores internos devem, no processo de seleção, pedir o currículo da empresa candidata. Se ela não provar que tem as condições e competência para oferecer liberdade para a criatividade e para a expansão da sua personalidade, a solução é jogar o currículo no lixo e chamar a próxima.

Publicado na Revista Exame, de 4/10/2000. Fernando Dolabela é professor de empreendedorismo e autor dos livros O segredo de Luísa, Oficina do empreendedor, A vez do sonho e do software de plano de negócios MakeMoney.

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O empreendedor coletivo

Diz-se que o empreendedor coletivo "tenta provocar mudanças que conduzem à sustentabilidade, à auto-suficiência, ou seja, tenta tornar dinâmicas as potencialidade de comunidade, criando condições para que seus habitantes sejam protagonistas, através de redes de cooperação internas e externas, na construção de seu próprio desenvolvimento" (Dolabela, 2001, p.108).

Nesse sentido, interfere diretamente na sociedade através de propostas reais, provocando e inspirando mudanças nas relações sociais ao seu redor. Geralmente, as propostas geram novos grupos, iniciativas, projetos, metodologias, organizações sociais (associações, ONGs, cooperativas, clubes de mães, grêmios), seja para sensibilizar a comunidade a se responsabilizar pelo seu destino, seja para influenciar assuntos que dizem respeito à família, escola, bairro, cultura, local, meio ambiente, desenvolvimento, geração de ocupação e renda, etc.

Pelo seu temperamento contestador de padrões previamente estabelecidos, por suas inquietudes, capacidade criativa e ânimo para promover transformações, os empreendedores sociais contribuem para "mudanças" nas relações sociais. Dentre as ações mais comuns pode-se citar:

- a sensibilização das lideranças para a importância da cooperação;
- a mobilização das pessoas para a participação em eventos que beneficiem a todos e não somente naqueles que dizem respeito aos interesses individuais;
- o incentivo ao diálogo entre os vários setores da comunidade;
- o estímulo à criação de fóruns democráticos para debater sobre os interesses e problemas da comunidade;
- o estímulo para que a comunidade conheça suas potencialidades e indique suas prioridades;
- a criação de condições para que a comunidade construa coletivamente sua visão de futuro e se comprometa com ela;
- a busca do consenso, da colaboração, da prática democrática.

Desenvolver competências empreendedoras através pode colaborar para a geração de atitudes que beneficiem mais as coletividades do que as individualidades. Portanto, a prática empreendedora dos jovens nos bairros ou comunidade onde moram pode estimular a cooperação entre os diversos setores sociais e auxiliar a identificação e solução dos problemas que afetam a qualidade de vida, dentre eles a falta de oportunidade para o ingresso no mundo do trabalho com a alegação de falta de experiência.

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Gestão pública empreendedora

A grande mudança é deslocar o foco da preocupação, obedecer a regras em compartimentos estanques e estabelecer o processo inverso, assumindo uma postura mais empreendedora. Empreender, aqui, significa identificar o que precisa ser feito e, depois, subordinar a organização, a estruturação, a normatização, o conhecimento, a qualificação e o arranjo de pessoas em equipes na buscar do resultado.

De modo concomitante a esse processo de mudança, o gestor público deverá recorrer a um conjunto de princípios e ferramentas: construção de parcerias, trabalho em rede, diálogo com a sociedade, acesso à informação, avaliação permanente, autonomia e responsabilização, simplificação dos processos e confiança.

Ser empreendedor no governo não é uma questão de recursos, é uma questão de atitude. É ser capaz de fazer mais e melhor com os mesmos recursos, de encontrar fontes alternativas para o financiamento de projetos e ideias. Também está associado à necessidade de aumentar os compromissos com a eficiência e eficácia do gasto público.

Ser empreendedor no governo é sentir-se desconfortável com normas ou procedimentos que emperram os serviços e dificultam a melhoria da qualidade das políticas governamentais. É saber trabalhar de forma articulada com outros setores para minimizar os prejuízos associados à burocracia, que geralmente é morosa e ineficiente. É saber delegar poder e cobrar resultados.

Principalmente, é saber que empreendedor é tentar realizar o sonho, e que, por isso mesmo, o sonho vai ter que ser discutido, revisado, ajustado, melhorado, até que se converta em uma melhoria concreta para a sociedade.

Adaptado de: Formação de multiplicadores para o curso Ser Empreendedor no Terceiro Setor. Brasília: AED, 2001


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Sobre mim!

Juliana Fernandes, estudante de 18 anos com sérios problemas mentais, inaugura seu 123343º blog, desta vez com o intuito de reunir o máximo de informação possível para o vestibular (e coisas mais!)
Junto ao seu fiel parceiro invisível, sem nome e inexistente, ela continua sua árdua tarefa de manter-se atualizada para não levar mais tapas da profª de Matemática de Pinhal City, a roça!!
Não perca o próximo capítulo dessa incrível aventura!!


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

- Clarice Lispetor


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